terça-feira, 20 de maio de 2014

1967 | «A CONDIÇÃO DA MULHER PORTUGUESA»




Na Biblioteca Nacional encontra-se uma mostra sobre URBANO TAVARES RODRIGUES:

Urbano Tavares Rodrigues, 1923-2013

MOSTRA | 1 abr. - 28 jun. | Sala de Referência | Entrada livre
SESSÃO com Cristina Almeida Ribeiro, Eduardo Lourenço e Teresa Rita Lopes | 29 maio | 18h00 | Entrada livre

e ao visitá-la dei comigo a deter-me no livro da imagem que lá se encontra. E vieram as memórias. Ao procurá-lo na internet encontrei  o post  «8 de Março - "A Condição da Mulher Portuguesa"», de 2009,  de um dos protagonistas - SÉRGIO RIBEIRO.   É irresistível, tinha de o trazer para o Em Cada Rosto Igualdade. Aqui fica:

«Em 1967, a Editorial Estampa lançou uma colecção a que chamou Polémica e de que entregou a direcção a Urbano Tavares Rodrigues. Para o 2º volume da colecção promoveu, em Novembro de 1967, um colóquio sobre a condição da mulher portuguesa para ulterior publicação, e convidou 4 escritores (Agustina Bessa Luís, Augusto Abelaira, Isabel da Nóbrega, Natália Nunes) uma jurista, Maria da Conceição Homem de Gouveia, uma socióloga (também escritora), Isabel Barreno Martins, e um economista, o responsável deste “blog” e “post”.
Tinha então 31 anos, e o convívio com escritores de que era leitor foi, para mim, experiência muito interessante.

Neste 8 de Março de 2009, reproduzo, com ligeiríssimas correcções, o começo da minha intervenção:

Ao aceitar o convite para participar neste debate, se o fiz com muito prazer, desde logo, também, me atribuí tarefas de sacrifício.
Primeiro, porque sentindo que devo apresentar os áridos números, sei que isso me pode tornar no desinteressante estragador de troca de impressões vivas, sobre temas vivos. Paciência! Tentarei pôr gente dentro dos números, adubar a sua aridez com clara significação humana. Depois, e este já não é um problema nosso, mas só meu., muito gostaria de aproveitar quem aqui está encontrado para ser mais a conversar sobre a Mulher, sobre a Mulher e o Homem, sobre o amor possível. A conversa-prazer só facultada a alguns de nós que, por isto ou por aquilo, têm o privilégio de dispor das fatias do bolo património-sócio-cultural que o ser humano vem aumentando desde que começou a sê-lo. É que a disponibilidade para a realização a dois, o tema mãos dadas, “a semente que tu és e a terra que eu sou”, tudo isto nos apela para o conversar-desfrute. E então convosco!…
Mas vamos às tarefas auto-atribuídas. Lá fora, aqui ao lado, há frio, há fome, há quem apanhe chuva(*).Por uma questão de método, entendo dever estudar-se o problema da condição da mulher por uma forma paralela ao esqueleto de uma formação social. Porque, na minha perspectiva, a condição da mulher resulta, fundamentalmente, de condicionalismos sociais, resulta de um fundo histórico. (...)». Continue a ler.

E, claro, vou continuar a procurar o livro. E cada vez mais a convicção de que é fundamental um misto de museu/centro de documentação, desde logo virtual, sobre as Mulheres em Portugal, aliás à semelhança do que se passa noutros países. Há que preservar e facilitar a memória. E o conhecimento.



Urbano Tavares Rodrigues


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