O livro A Arte Sem HistóriadeFilipa Lowndes Vicentefoi-nos emprestado pela colega Mónica Guerreiro, e bastava ler o que está escrito na contracapa, uma sinopse, para o divulgarmos aqui:
Pode ler a introdução na web bem como mais referências, nomeadadmente o índice. E numa passagem dos agradecimentos:
Por último, sobre a autora: «Filipa Lowndes Vicente (Lisboa, 1972), historiadora, doutorada pela Universidade de Londres, em 2000, com uma tese que deu origem ao livro Viagens e Exposições. D. Pedro V na Europa do século XIX (Lisboa: Gótica, 2003), é actualmente investigadora auxiliar do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, onde trabalha sobre a história do conhecimento e da cultura em contexto colonial nos séculos XIX e XX»
Obras de Clarice Lispector editadas em Portugal patentes na mostra da BNP
A mostra bibliográfica sobre Escritoras Brasileiras editadas em Portugal que pode ser vista na Biblioteca Nacional de Portugal (BNP) tem-nos despertado para o que vai acontecendo em torno de autoras brasileiras. Assim, não poderiamos deixar de trazer para o Em Cada Rosto Igualdade a boa notícia:
Clarice Lispector – A hora da Estrela
exposição sobre a escritora brasileira abre hoje, dia 5, na Gulbenkian
«Três décadas e meia após a morte de Clarice Lispector, a Fundação Gulbenkian apresenta a exposição A hora da Estrela, integrada nas comemorações do Ano do Brasil em Portugal. Divulgar a obra de uma das mais destacadas vozes da literatura brasileira é um dos objetivos desta exposição, que ocupará a Galeria de Exposições Temporárias do Museu Calouste Gulbenkian entre 5 de abril e 23 de junho».
Por outro lado, oportuno é também indicar a obra recente «Laços de Família», da Relógio D´Água, e no prefácio Lídia Jorge escreveu: «Entre nós, poucos são aqueles que têm de Clarice outra referência que não seja o nome, e no entanto, trata-se de um dos mais singulares escritores da nossa língua. As razões deste clamoroso desconhecimento não podem deixar de se inscrever na contenciosa fraternidade que existe entre Brasil e Portugal e que leva a que, salvo raras excepções, as ligações em Cultura se produzam pelas cinturas mais frágeis ou já canónicas. No caso de Clarice, porém, a sua obra tarda de modo inusitado a chegar até nós e por duas razões — a primeira é que Clarice Lispector deixou há muito de ser um escritor de pequenos grupos aficionados para ser, no Brasil, uma referência obrigatória caída no domínio público univer-sitário que a cada hora a faz e a refaz de análises e suposições teóricas.»
E, já agora, por que não trazer também para aqui o post Sólo, para, entre, por, con, de mujeres de 13 de Março último, do Blog Mujers, El País, que começa assim: «Si dedicas unos segundos a pasearte por las revistas femeninas, revistas para mujeres, revistas de mujeres, te darás cuenta de que no hay lugar para el arte, para la mujer artista o la mujer a la que le interesa. Salvo contadas excepciones, las revistas de entretenimiento para mujeres se dividen en las siguientes categorías: moda, belleza, sexualidad, trucos, corazón, famosas, ¡horóscopo! Cuando cae en mis manos el libro Sólo para mujeres, una recopilación de textos en revistas femeninas, de Clarice Lispector, me llevo las dos manos a la boca, a la cabeza, a las orejas, a los ojos. En efecto, la densa, enigmática, intelectual y filosófica Clarice Lispector se disfraza de consejera femenina tras los seudónimos de Tereza Quadros o Helen Palmer. El primero de sus consejos empieza así: "¿Eres moralmente tan anticuada que consideras la vanidad femenina una frivolidad?
E mais adiante: «(...) Clarice Lispector se vuelve la pequeña voz de la conciencia femenina, y lo hace desde el territorio enemigo. No, la vanidad femenina no es una frivolidad y merece nuestra atención; pero la vanidad femenina no está reñida con el intelecto, o no debiera, y en las revistas para mujeres no estaría de más que, a un lado del horóscopo, apareciera la recomendación de un libro; no estaría de más que, a un lado del último cotilleo, apareciera el cuadro de una artista; que a un lado de la última pasarela, se informara del último disco de una cantante. (...)».Leia na integra, e também os comentários. Por último, um pormenor sem importância: já tinhamos sinalizado «Só para Mulheres» na coluna à direita do Em Cada Rosto Igualdade. E a terminar mesmo: este post teve a colaboração especial do colega Paulo Carretas (DGARTES) e da colega Ana Nogueira (BNP).
Em cima do acontecimento, a colega Ana Isabel Fernandes, da DGLAB, alertou-nos para a publicação desta Resolução no Diário da República de 3 deste mês, e aqui está mais um elemento a juntar às referências na esfera da linguagem para a igualdade.
«Eis uma voz única, a de Carmen Dolores, que nos entrega aqui, desta vez por escrito, um testemunho precioso de uma longa vida em que o Teatro desempenhou um papel decisivo. Cruzamento de passado e presente, de memórias e vida, de vozes e de silêncios, esta é também a história de uma mulher e do seu tempo, história que ela tornou exemplar pelo empenho e sensibilidade com que sempre a viveu». +, nomeadamente o índice .Sobre o livro pode ouvir também a entrevista que Carmen Dolores deu à Antena 1. E um excerto do livro com um pequeno pormenor, o da «Tabela», lembrando-me eu de quando a descobri como espaço «institucionalizado» de trabalho: de partilha de informação e ainda nem se pensava na internet. Mecanismo simples, eficaz, e vinculativo, e ainda hoje, em tempos de web, me fascina o «termo» e função. Não há muito ao perguntar a um Diretor de uma Companhia se tinha lido determinada notícia, respondeu-me que sim, e até tinha mandado pôr na Tabela ... E aqui está o pormenor da Tabela no livro de Carmen Dolores, num ponto muito para além disso - O velho ator:
Pequenos detalhes a que não será alheia a disciplina que marca a atividade teatral.
A ideia de um sítio comum veio de posts como este, a propósito do dia Internacional das Mulheres, que diz: A necessidade de um Dia Internacional da Mulher é comprovada pelo hábito crescente de encher este dia com cachos de flores e rubricas televisivas sobre maquilhagem. Mas também deste site:
E do facto de no nosso País ter havido um número significativo de iniciativas, divulgadas, eventualmente, de maneira muito dispersa. Pela nossa parte, até conseguimos sistematizar algumas sobre as quais fizemos posts autónomos e que listamos também na coluna à direita. Com a preocupação de lhe darmos alguma identidade dentro do conceito do Em Cada Rosto Igualdade. Para que conste, para «memória futura», e dado que a vamos retirar, aqui fica o registo:
Mas nada que se possa comparar com o que vimos noutros espaços na web - da UMAR, da CEDAW, de Organizações Sindicais, em Sites Institucionais ... - sendo certo que muitas das iniciativas foram anunciadas «muito em cima da hora». A ideia de um sitio comum, sem prejuízo de cada organização, em paralelo, manter os seus, que pudesse ser alimentado na origem, à semelhança do International Women´s Day 2013, parece-me mesmo um projeto a ser pensado! Por todos e todas que se interessam por estas causas. Bom, e podia não ser apenas para este DIA INTERNACIONAL. Qualquer pessoa pode verificar que muito acontece na esfera da Igualdade, divulgado em muitos sitios, mas nunca fazendo «mancha», o que, logo à partida, condiciona o acesso e, por conseguinte, o impacto.
Por último, as iniciativas em que participei, no que me diz respeito, foram interessantes e com utilidade imediata. Só tenho pena que haja quem disso não tenha beneficiado porque nem soube que estavam a acontecer. É isso, no século XXI tem mesmo de trabalhar-se em REDE! Certamente que o Dia Internaconal das Mulheres foi «um dia cheio», não só de flores e maquilhagem ... E, assim, nada contra as flores e a maquilhagem. Como remate estes dois posts:
Um leitor do Em Cada Rosto Igualdade - Esaú Dinis - chamou-nos a atenção para o livro da imagem e, claro, como não valorizar estes esforços em defesa da «memória»! Por isso aqui está.
«A partir da segunda metade do Século passado, alguns historiadores iniciaram o estudo da história das mulheres, sua vida, saberes e áreas de trabalho, mas pouco ou nada existe sobre história das mulheres na área da saúde.
Assim, apresentam-se 25 biografias de enfermeiras portuguesas que exerceram a sua actividade tanto na área da prestação directa de cuidados como nas áreas da docência, da gestão e investigação.
De salientaar a actividade internacional que algumas exerceram tanto junto do Conselho Internacinal de Enfermeiras e da Organização Mundial de Saúde como junto de outras organizações internacionais».
Há uns tempos a colega Adelaide Rocha falou-nos deste discurso, de Ela Bhatt, que esta proferiu quando recebeu o prestigiado Indira Gandhi Prize for Peace, Disarmament and Development 2013by President of IndiaPranab Mukherjee. Bastava ler o excerto com que no Elders é destacado para se perceber a força do discurso: “Poverty is day-to-day violence, no less destructive than war”. De facto, a violência da pobreza pode equiparar-se à violência da guerra. E o conteúdo do discurso também é bem revelado pela introdução inicial: «Ela Bhatt re-examines our idea of peace, arguing that equity, local economies and the empowerment of women through work are central to supporting economic freedoms, and therefore peace».E mais esta outra passagem em que diz que « ausência de guerra não é paz»: «Certainly, absence of war is not peace. Peace is what keeps war away, but it is more than that; peace disarms and renders war useless. Peace is a condition enjoyed by a fair and fertile society. Peace is about restoring balance in society; only then is it lasting peace. In my view, restoration and reconstruction of a society are essential and key components of the peace process worldwide». E disse também, como pode verificar: "If food, shelter, clothing, primary education, primary healthcare and primary banking are locally produced and consumed, we will have the growth of a new holistic economy, that the world will sit up and take notice" e «Catching up with western economic models will turn us into incompetent followers, not leaders. But if we address the realities of our own countries, we can create a development that makes us leaders of our destiny," Entretanto, se quiser saber mais sobre Ela Bhatt pode, por exemplo, recorrer à Wikipedia donde, aliás, tirámos a imagem acima.
«A melhor forma de tratar o problema é impedir que aconteça»
A iniciativa tem como objetivo a promoção e proteção dos Direitos das crianças e jovens, desejando os seus promotores que no futuro próximo seja uma iniciativa de âmbito nacional, numa mobilização de todas as instituições da área da infância, bem como de todos os cidadãos na luta pelos Direitos da Criança.
«O poder da convicção, a defesa da tolerância e da dignidade de toda a pessoa humana e a importância de entregar a vida por causas nobres são alguns aspetos da vida e obra do Padre António Vieira que podem inspirar os homens e as mulheres dos nossos dias» . Ler mais.
A colega Alexandra Fonseca chamou-nos a atenção para a exposição «As mulheres e a política no principado de Andorra: o longo percurso para a paridade».
Ainda pode ser vista
até 30 de Março
Institut français du Portugal
Avenida Luís Bívar, 91, Lisboa
ENTRAD LIVRE
«Em 1968, uma data particularmente significativa, 400 mulheres de Andorra pediram os mesmos direitos políticos que os homens. A resposta não foi imediata. As instituições, onde apenas havia homens, refletiram durante algum tempo até que, finalmente, concederam o direito de voto em 1970, deixando um período de tempo para que as mulheres aprendessem a sua “nova missão”. E foi assim que, em 1973, elas adquiriram o direito de concorrer às eleições. Em 2011, 40 anos após o primeiro voto das mulheres, o Conselho Geral - Parlamento – alcançou, na sua composição, a paridade perfeita: 14 mulheres e 14 homens que representam os cidadãos andorranos. Sem um quadro regulamentar, é o único parlamento na Europa que atingiu este objectivo. A partir de fotografias, analógicas e digitais, que nos levam a interpretar a democratização da política e da história de Andorra, a exposição é uma homenagem às mulheres que lutaram pelos seus direitos. Para as de Andorra e para as mulheres do mundo inteiro. O futuro também lhes pertence».
Mais informação no site do IFP. Bons Programas em tempos de Páscoa. E hoje mesmo temos a conferência do cartaz abaixo - das 19H às 21H - sobre tema bem interessante e que preocupa muitos paises: «Mas a fertilidade humana estará verdadeiramente em perigo? Esta pergunta alimenta um debate intenso, não só na comunidade cientifica como no grande público, nos media, no mundo industrial e nos decisores políticos».
No Dia Mundial do Teatrocontinuamos com Fernanda Alves juntando-nos assim ao TNSJ onde é inaugurada uma instalação em sua homenagem:
FERNANDA ALVES
IMAGENS, SONS, IMPRECAÇÕES
«(...)
Do espetáculo encenado por Fernando Mora Ramos a esta instalação assinada por Nuno Carinhas, entretecemos fragmentos de um discurso amoroso sobre a atriz que não conseguimos esquecer.
Inaugurada, não por acaso, no Dia Mundial do Teatro, Fernanda Alves é uma exposição em forma de rememoração instalada, que reúne fotografias de cena e registos áudio de espetáculos iluminados pela sua inconfundível presença. Nesta dramaturgia de materiais diversos, Fernanda Alves permanecerá fechada no seu mistério, pois é da natureza dos mistérios resistir a todas as evocações e tentativas de exegese. A sua ambição maior? Talvez ascender, animados pelas palavras de Ernesto Sampaio, à condição de “poalha de recordações cuja persistência espanta”». +
Capas da 2.ª e 3.ª edição/ Ernesto Sampaio e a Fernanda
E mais fragmentos do homem que Cesariny diz a única pessoa que viu morrer de amor: «A tua ausência é como essas árvores perdidas num jardim ao abandono, que parecem transplantadas de uma floresta antiga, quando um perfume de infância habita a sua madeira. De mim não resta grande coisa. Não me chores. Aqui já não há fogo para apagar. Não me olhes (sei que não podes olhar-me). Estou quase a cair. Já não sinto o meu eu, o meu peso». E hoje ainda o espectáculo FERNANDA Quem Falará de Nós os Últimos.
“Queria acariciar os teus cabelos mortos, deixar cair entre os nossos espaços o tempo cheio de espaços antes da escuridão, acabar de roer a forma da tua sombra” – que fazer mais do que dizer estas frases? - Fernando Mora Ramos.
Leitura de textos da poetisa e artista plástica, com coordenação de Paulo Lages.
HOJE 26 MARÇO | 19H | ENTRADA LIVRE
Em Ana Hatherly, no princípio está o gesto. Ele é a génese e todo o trabalho resulta de um retorno à origem. Nesse processo erudito de descoberta da origem, a artista desenvolveu uma linguagem própria, como se de um novo alfabeto se tratasse, em busca da autenticidade. É essa autenticidade que encontramos nos trabalhos desta exposição. Um percurso de quatro décadas que revela o intenso processo criativo da artista, através de obras da coleção do MNAC – Museu do Chiado e da coleção AR.CO, algumas até hoje inéditas.
Carla Chambel diz "Para o Zé", de Adélia Prado. Aconteceu ontem no Capela do Rato, para crentes e não crentes. E foi ... encantador!
Para o Zé Eu te amo, homem, hoje como toda vida quis e não sabia, eu que já amava de extremoso amor o peixe, a mala velha, o papel de seda e os riscos de bordado, onde tem o desenho cômico de um peixe - os lábios carnudos como os de uma negra. Divago, quando o que quero é só dizer te amo. Teço as curvas, as mistas e as quebradas, industriosa como abelha, alegrinha como florinha amarela, desejando as finuras, violoncelo, violino, menestrel e fazendo o que sei, o ouvido no teu peito pra escutar o que bate. Eu te amo homem, amo, o teu coração, o que é, a carne de que é feito, amo sua matéria, fauna e flora, seu poder de perecer, as aparas de tuas unhas perdidas nas casas que habitamos, os fios de tua arma. Esmero. Pego tua mão, me afasto, viajo pra ter saudade, me calo, falo em latim pra requintar meu gosto: "Dize-me, ó amado da minha alma, onde apascentas o teu gado, onde repousas ao meio-dia, para que eu não ande vaguando atrás dos rebanhos de teus companheiros". Aprendo. Te aprendo, homem. O que a memória ama fica eterno. Te amo com a memória, imperecível. Te alinho junto das coisas que falam uma coisa só: Deus é amor. Você me espicaça como o desenho do peixe da guarnição de cozinha, você me guarnece, tira de mim o ar desnudo, me faz bonita de olhar-me, me dá uma tarefa, me emprega, me dá um filho, comida, enche minhas mãos. Eu te amo, homem, exatamente como amo o que acontece quando escuto oboé. Meu coração vai desdobrando os panos, se alargando aquecido, dando a volta ao mundo, estalando os dedos pra pessoa e bicho. Amo até a barata, quando descubro que assim te amo, o que não queria dizer amo também, o piolho. Assim, te amo do modo mais natural, vero-romântico, homem meu, particular homem universal. Tudo que não é mulher está em ti, maravilha. Como grande senhora vou te amar, os alvos linhos, a luz na cabeceira, o abajur de prata; como criada ama, vou te amar, o delicioso amor: com água tépida, toalha seca e sabonete cheiroso, me abaixo e lavo teus pés, o dorso e a planta deles eu beijo.
Logo que soubemos que o Teatro da Rainha ia fazer um trabalho sobre Fernanda Alves pensámos que era a ocasião ideal para a trazermos para o Em Cada Rosto Igualdade. Gostariamos de ter encontrado, facilmente, sitio na web para onde encaminhássemos para sabermos desta mulher na cultura. Lembrámo-nos da homenagem que lhe foi feita no Festival de Almada, em 1997, e que a haver registo seria um bom caminho. Mas não foi fácil. Do que achámos, o excerto da imagem, de José Peixoto, pareceu-nos retratar bem a actriz que tivemos o privilégio de ver em palco, e conhecer como mulher. Não podiamos deixar de lembrar aqui a maneira como Mário Barradas nos falava da Fernanda, e foi talvez a partir disso que começámos a entender o que era uma grande Actriz. É claro que para muitos há um antes e um depois de se ter visto «A Grande Imprecação diante das Muralhas da Cidade». «A Grande Imprecação diante das Muralhas da Cidade foi pela primeira vez apresentada em Portugal em 1974, pelo grupo teatral Os Bonecreiros, e com Fernanda Alves no principal papel (com o qual obteve o Prémio da Casa da Imprensa para a Melhor Interpretação Feminina)» - tirado daqui. E sobre este espectáculo, recorrendo uma vez mais ao Teatro dos Aloés.
Mas neste momento o que importa é chamar a atenção para o que vai ter lugar no Porto:
A Fernanda foi casada com Ernesto Sampaio.
«Deixou-nos a poucas semanas da estreia das Barcas vicentinas que Giorgio Barberio Corsetti levantava no palco do TNSJ. Fernanda Alves (1930-2000) foi, é, uma referência única da inteligência do dizer que está no coração daquilo a que chamamos teatro. Se um corpo em representação é insubstituível, regressemos então à memória que dele temos para o reapresentar. Fernanda – Quem Falará de Nós, os Últimos? é uma convocação para a vida, não uma chamada para a morte. Uma vivificação cénica ativada pelas palavras que Ernesto Sampaio nos legou em Fernanda (2000), dolorosa viagem ao inferno em forma de livro, pois o inferno, escreveu o homem que morreu de amor, “é a ausência de quem amamos”. Convocação também por via das personagens que testemunhou, ela que foi, entre tantas outras, a Fan Chin-Ting de A Grande Imprecação Diante das Muralhasda Cidade de Tankred Dorst ou o profeta Isaías do Clamor de Luísa Costa Gomes. “Como pôr o amor em cena quando a palavra é lírica em absoluto?”, pergunta-se Fernando Mora Ramos, que divide o palco com Joana Carvalho. Estarão sozinhos em cena, como Fernanda e Ernesto: “Sós, ambos, na estrada, nos confins mais remotos, tu já dentro da noite e eu à beira dela”… +
Fernanda Alves
Estreia Absoluta FERNANDA, QUEM FALARÁ DE NÓS , OS
ÚLTIMOS?
Quantos erros, quanta melancolia, quanta
vida desperdiçada, quanto amor vão ficar ali estendidos, indefesos, abandonados
como crianças postas de castigo e que adormecem de dor, renunciando a
tudo.
Quem saberá, depois de nós? Quem falará
de nós? Os últimos, nós seremos os últimos estendidos de uma grande família
ignorada que atravessou os séculos dos séculos em termiteiras a perder de vista
destruídas e reconstruídas, abatidas quando faz mau tempo, ensolaradas,
dissolvidas em chuva, pisadas pelas multidões, sacudidas por abalos, revoltas,
incêndios, contágios, milagres obscuros, futilidades ruidosas, feridas de sangue
e de água, tiros. Por cima disto nada, ninguém soube nada, ninguém saberá
nada.
Ernesto Sampaio– Fernanda.
2.ª ed. Lisboa: Fenda, 2005. p. 62.
MOSTEIRO SÃO BENTO DA VITÓRIA | PORTO 22 A 27 DE
MARÇO sexta a quarta | 21h30 (exceto 25 de
março)
E, aqui, no Em Cada Rosto Igualdade, está também na coluna à direita nos Destaques - Teatro Nacional São João.
Depois das queimadas as chuvas Fazem as plantas vir à tona Labaredas vegetais e vulcânicas Verdes como o fogo Rapidamente descem em crateras concisas E seiva E derramam o perfume como lava
E se quiséssemos queimar animais de grande porte Eles não regressariam. Mas a morte Das plantas é a sua infância Nova. Os caules levantam-se Cheios de crias recentes
Também os corações dos homens ardem Bebem vinho, leite e água e não apagam O amor
«Gender Mainstreaming is not a goal in itself but a strategy to achieve equality between women and men. It is used to integrate gender concerns into all policies, and programmes of the European Union institutions and Member Sates». Saiba mais.
«Para que uma criança mantenha vivo o seu sentido inato do que é maravilhoso sem que lhe tenha sido dado tal presente pelas fadas, ela necessita da companhia de pelo menos um adulto com quem possa partilhá-lo, redescobrindo com ele a alegria, o entusiasmo e o mistério do mundo em que vivemos». +