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quinta-feira, 7 de novembro de 2013

OLHA | É sobre a violência doméstica e não só




Já nos temos referido  ao projeto OLHA. É  de Valter Vinagre e conta com a participação da APAV. Agora está nos Açores, na Galeria Fonseca Macedo. Sobre o projeto Luisa Soares Oliveira escreveu no Ípsilon, do jornal Público, aquando da exposição na Cordoaria Nacional:


Vinagre expõe uma série sobre a violência



O texto do livro que acompanha esta exposição de Valter Vinagre, assinado por Celso Martins, começa com uma interrogação capital: “Como fotografar o silêncio?” E o que é certo é que esse silêncio acaba por ser a grande companhia da violência, doméstica e não só, que o fotógrafo escolheu para trabalhar nesta série que agora expõe na Cordoaria Nacional.

Valter Vinagre, de facto, trabalha por séries, que tem exposto regularmente desde finais da década de 80. Enquanto decorre esta exposição, inaugura uma outra na Kgaleria de Lisboa, e está já a trabalhar num novo projecto que incidirá sobre uma época histórica precisa. A temática da violência, e dos sinais que esta deixa, levou-o a contactar a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), que lhe abriu as portas dos refúgios para vítimas de violência que existem por todo o país, Açores e Madeira incluídos. O resultado é um conjunto magnífico de fotografias a preto e branco, que se distribui na sua quase totalidade por uma das salas do primeiro andar do edifício da Cordoaria. 
(...)
Diz-se que a violência (doméstica ou outra; pense-se, por exemplo, no bullying) provoca na vítima um sentimento de vergonha que resulta da total falta de amor próprio e na consequente culpabilização por tudo o que se sofreu. Daí a ocultação, primeiro de tudo aquilo que se passa entre as quatro paredes da casa, depois das próprias vítimas em relação a uma sociedade que, apesar da lei que a condena, ainda olha para estes casos como situações estranhas, alheias ou, pior, sem importância. O ver, o “olha” para que o título da exposição remete, não é apenas um imperativo moral, é também o efeito de uma mesma sociedade que muda, embora a passos tímidos, a sua atitude perante um mal que lhe é transversal. Valter Vinagre, embora não o diga nunca nos títulos que deu a cada imagem (identificada por um lugar, uma data, e às vezes um nome feminino entre aspas), conhece todas as histórias, sabe quem morreu entretanto, quem sobreviveu, de onde vinha e o que fazia cada vítima, da professora universitária à imigrante do Leste europeu. Este “olha” condensa-se nos olhos imensos, encimados por uma ligadura branca, que permitem à única mulher devolver-nos um olhar paradoxalmente cheio de dignidade. É a única vítima que o faz frontalmente, restando-nos a nós, espectadores, imaginar a relação de confiança que o fotógrafo com ela conseguiu estabelecer. Leia a critica na integra.


No Açores vai estar até ao dia 16.













domingo, 24 de fevereiro de 2013

EXPOSIÇÃO «OLHA»

 
 OLHA 
 A exposição reúne um conjunto de trabalhos do fotógrafo
 Valter Vinagre
 Retrata universo das vítimas de crime em Portugalo e
 resulta de uma colaboração com a APAV
 
até dia 23 de Março
 
Galeria Torreão Nascente | Cordoaria Nacional
Av. da Índia, Edifício da Cordoaria Nacional, Lisboa
terça a sexta das 10h às 18h
sáb/dom das 14h às 18h
encerra  segundas e feriados
 
 
 «Como fotografar o silêncio? Como fotografar o invisível ou o velado? Desde que há fotografia – melhor seria dizer, desde que há imagem – que o problema se põe. Seja porque o que está em causa são conceitos e não realidades tangíveis, seja porque essas realidades se furtam absolutamente ao olhar da câmara. A violência doméstica, entendida como fenómeno alargado, é um destes casos. É omnipresente em todas as sociedades, mas invisível. É ilegal (é mesmo um crime público) na nossa, mas resistente à sanção social e à lei. O que é novo na modernidade não é a violência, mas, por um lado a natureza dessa violência e, por outro, o modo como a vemos e a enquadramos entre o espaço público e privado. O seu território, o seu capital de impunidade é precisamente esse círculo fechado que constitui a privacidade, que deixa à porta o Estado, as leis, a urbanidade exigível aos comportamentos. (...) Poucos assuntos podiam ser menos atraentes e mais destituídos de glamour e de fotogenia como a vida das pessoas vítimas de violência. O circuito mediático guarda-as normalmente para encarniçar em nós a faceta humanista que todos julgamos ter. A serenidade cúmplice das imagens de Valter Vinagre recusa liminarmente essa parasitagem. No fundo elas dizem uma só coisa de diferentes maneiras. Olha. Compreende o que puderes. Se puderes. E age. Se puderes.»
Celso Martins


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