quinta-feira, 16 de agosto de 2018

ANNA M. KLOBUCKA | «O Mundo Gay de António Botto»



SINOPSE
Este ensaio reavalia a figura literária de António Botto como um fenómeno excepcional para a época, de um escritor que a partir do início dos anos 1920 corajosamente produz e coloca em circulação aberta (em revistas e livros acessíveis ao público leitor em geral) um discurso poético homoerótico sem precedentes no contexto não apenas português, mas também europeu e global.

O Mundo Gay de António Botto procura resgatar e dignificar a memória de Botto em face da sua reputação histórico-literária estabelecida como um «poeta menor», para muitos até «medíocre», acentuando o carácter extraordinário do seu trabalho cultural.

Botto conseguiu elevar-se das origens sociais humildes e estabelecer-se como um protagonista importante no meio literário português graças à sua escrita profundamente original, cujo mérito artístico e social era reconhecido por muitos que o apoiavam no seu percurso — com destaque particular para Fernando Pessoa — e que merece ser afirmado também na época contemporânea. +.
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Sobre António Botto, por exemplo:

De lá:

«(...)
Mas porquê Botto? O que interessou à professor da Universidade de Massachusetts Dartmouth “foi justamente o valor independente do que lhe era atribuído no cânone ou seja, o do amigo de Pessoa, o de alguém que só importava na medida em que nos podia ensinar alguma coisa sobre Pessoa”. Desde o início que o seu projeto esteve orientado nesse sentido — “tratar Botto de uma forma independente e autónoma, e também salientar o valor que ele teve na história da cultura portuguesa e das identificações LGBT, a nível individual mas também coletivo.” Este papel não teve precedentes “na língua portuguesa mas também a nível europeu e até global”. Botto “foi alguém que não escreveu apenas, mas que publicou, que colocou em circulação aberta, em livrarias, ao acesso de toda a gente, poesia homoerótica extremamente direta e límpida, sem rodeios, sem véus, sem dissimulações. Não há como perceber mal ou como não perceber — não há discurso codificado, está tudo lá”. E como é que isso aconteceu?

Uma infância no campo, uma juventude na grande cidade

“Sou filho do Ribatejo e brinquei com os campinos
Que são os homens mais elegantes,

E os mais valentes do mundo.”
— António Botto, “Poema autobiográfico” (...)»

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