segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

FILME | «Roma»





«(...) Muito mais do que homenagear alguém importante em sua vida, Cuarón retrata, e ao final, eleva a força e a capacidade resiliente das mulheres que tem sua vida deformada pelo abandono masculino, isso inclui a personagem de Marina de Tavira, a matriarca da família.
Com Roma, produção original da Netflix, o autor mexicano oferece uma oportunidade de reconhecer o que geralmente é considerado à margem de todo o resto, e em seu último plano, demonstra o amor renovado destas mulheres incríveis». Tirado daqui.






E da Critica de Jorge Leitão Ramos no Expresso:  «Íntimo e épico - Um olhar cálido sobre uma memória autobiográfica propicia que Alfonso Cuáron nos presenteie com o melhor filme do ano | (...) Porque o que há de mais extraordinário no mais recente empreendimento de Cuarón é que um mergulho íntimo no casulo das suas memórias familiares seja capaz de uma ressonância a que tenho alguma prudência em chamar épica só porque o vocábulo foi demasiado gasto para qualificar trilogias, tetralogias e outras n-logias onde há seres colossais e batalhas e mundos para resgatar. Em “Roma” — e explique-se já que o título designa o bairro residencial da Cidade do México onde Cuáron vivia em criança e onde o filme se passa — o único ser colossal que existe é Cleo, uma mulher pequena, com a compleição e tez dos nativos mexicanos de origem índia, criada de servir numa grande casa de família burguesa, a dormir num quartinho lá muito em cima, que trata dos meninos, da lida e, em geral, é um esteio importante, presença muda, humilde, submissa, numa organização que está em vias de abalo. Quando o filme começa o pai vai estando ausente, há outra mulher na sua vida e esposa e filhos vão passar para segundo plano. Quando o filme começa há uma família que sofre um rombo forte, mas há que seguir adiante — e Cleo é essencial no reequilíbrio das coisas. Mesmo quando uma história de amor pessoal lhe vem tumultuar a existência.
Passam-se grandes coisas em “Roma”? Lá fora, sim — há mesmo ecos vibrantes de um histórico massacre nas ruas da Cidade do México, curiosamente encenado como uma dificuldade de mobilidade, não como algo que pareça dizer diretamente respeito à intriga — e dentro de portas ainda mais. É que Cuáron põe em cena um caldo de afetos, mas também uma estrutura de classes, uma teia onde se articula a área íntima com a esfera pública (é ver o personagem que seduz e abandona Cleo) e uma cadeia de sobrevivência — tudo sem pompa, nada de fanfarras, um plácido naturalismo onde a beleza da fotografia e a delicadeza do olhar produzem uma indiscutível maravilha».

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