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Pena desassombrada e corajosa, Beatriz Pinheiro usou as
páginas da revista Ave Azul, de que era directora juntamente com seu marido,
Carlos de Lemos, para, ao longo de dois anos - 1899 e 1900 -, defender a
igualdade entre sexos, o direito das mulheres a uma educação em tudo similar à
dos homens, a que se juntava o direito à escolha de uma profissão e ao trabalho
justamente remunerado.
No fascículo nº 8, com a data de 13 de Junho de 1899, aproveitando para criticar o dote que a jovens levavam para o casamento, Beatriz Pinheiro discorre pela primeira vez sobre a exploração das mulheres pelos homens, a falta de perspectivas em que estas viviam, por falta de instrução e de mercado de trabalho, acabando por equiparar a luta feminina ao levantar dos servos contra Roma e aos acontecimentos da Comuna de Paris. Mas ao defender o direito da mulher à educação e ao trabalho, Pinheiro não esquece o homem, que não vê como inimigo, mas nele reconhece o outro igual». Continue a ler. E saiba mais no Blogue Silêncios e Memórias.
No fascículo nº 8, com a data de 13 de Junho de 1899, aproveitando para criticar o dote que a jovens levavam para o casamento, Beatriz Pinheiro discorre pela primeira vez sobre a exploração das mulheres pelos homens, a falta de perspectivas em que estas viviam, por falta de instrução e de mercado de trabalho, acabando por equiparar a luta feminina ao levantar dos servos contra Roma e aos acontecimentos da Comuna de Paris. Mas ao defender o direito da mulher à educação e ao trabalho, Pinheiro não esquece o homem, que não vê como inimigo, mas nele reconhece o outro igual». Continue a ler. E saiba mais no Blogue Silêncios e Memórias.
Trazemos também o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, que não tem a divulgação merecida, como sublinhado na conferência, recorrendo a este texto de um dos oradores - João Esteves (o autor do Blogue acima mencionado) - que começa assim:
Fundado em Março de 1914, sob a égide da
médica ginecologista Adelaide Cabete (1867-1935), o Conselho Nacional das
Mulheres Portuguesas tornou-se na mais importante e duradoura organização de
mulheres da primeira metade do século XX português e foi a única a lograr
perdurar para além do Armistício, mantendo actividade ininterrupta até 1947,
quando as autoridades salazaristas determinaram o seu
encerramento.
A
primeira tentativa de se fundar em Portugal um Conselho terá surgido ainda na
primeira década, quando Carolina Michaëlis de Vasconcelos apresentou à escritora
Olga de Morais Sarmento a canadiana Mrs. Sânford, “vinda de longe, em viagem de propaganda, a
fim de tentar a formação de um Conselho Nacional de Mulheres portuguesas
dispostas a trabalharem energicamente a favor do Bem”[2]. Num cartão, não datado, Carolina
Michaëlis sugere-lhe que reunisse “em
sua casa algumas senhoras que falam inglês - e que desejam colaborar no
movimento feminista”, já que “prestava-nos, com certeza, um grande
serviço”, podendo recorrer àquelas que constituíam a Liga Portuguesa da
Paz. Tais diligências não tiveram consequências e só em 1914 é que ele se
concretizaria, em resultado do empenho de Magalhães Lima, “grande republicano e
incansável propagandista das ideias novas”[3], e da feminista Adelaide
Cabete. Continue a ler.
De facto, há muito a que dar visibilidade.

















