quarta-feira, 5 de setembro de 2018

ISABELLE EBERHARDT | «Rakhil»



«SINOPSE
Rakhil e o seu anjo eréctil.
A sensualidade islâmica de Isabelle Eberhardt.

O leitor de Rakhil encontrará na sua história dois muçulmanos, severos observadores dos ensinamentos do Corão mas capazes, ainda assim [...] de ignorar que nunca há nas suas palavras qualquer sentença que prescreva a clausura das mulheres e o seu difícil acesso à cultura; capazes também de punir a infidelidade feminina com a morte. E encontrará, sobretudo, o «muçulmano transviado», de comportamento sexual dissoluto e atribuído na sua essência a leituras filosóficas «perversas», incutidas pelo seu contacto com a civilização ocidental.
Ao serviço destas esquemáticas verdades, a história imaginada pela autora salta dos seus trilhos e carrega-se de bem mais curiosas sombras. Rakhil, a prostituta judia de poucas letras e rendida ao seus próprios encantos, só conhece o amor físico e cheio de competência profissional, mas sofre um dia a nefasta revelação do verdadeiro amor; Mahmud, o árabe culto impregnado pelos vícios mentais e físicos que a autora atribui a más leituras e a más vivências parisienses, preenche o vazio da sua existência pervertida com a busca de um sublime e nunca saciado prazer sexual.
Este predador do sexo lembra-nos na sua insatisfação Casanova. As mulheres são derrotadas na sua resistência pelo Poder do Sedutor, por uma força indefinível e turva que lhe anuncia a qualidade sexual e, como um diapasão, faz o sexo oposto vibrar sob um magnetismo supremo, tão irresistível como o que leva a borboleta a bater as suas asas aos raios benfazejos do sol. Mahmud entra com esta perigosa vantagem erótica numa história pouco previsível em lares árabes severos, com mulheres ociosas e sem mais território do que uma eterna penumbra defendida por cortinas.
Mahmud chega a ter relações sexuais simultâneas com três mulheres da casa do seu pai, receptivas a esta excitante novidade física que as distrai da sua clausura, uma delas sua cunhada, supremo desacato que estremece tudo o que poderíamos esperar de uma história passada num lar árabe convencional. Mas não tardará que este formoso anjo de sexo eréctil sinta um tédio que volúpias caseiras não matam e se entregue às competências, reconhecidas sem esforço em toda a cidade, da profissional Rakhil.
[Aníbal Fernandes]»

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