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quinta-feira, 18 de outubro de 2018

«Representação de homens e mulheres nos blocos informativos de sinal aberto 2015-2016-2017 / RTP1,RTP2, SIC e TVI»




«(...)
Principais Resultados
Observa-se que os três anos considerados mantêm as tendências já identificadas em 2014, permanecendo a preponderância de atores do sexo masculino nos noticiários de horário nobre.
 Nas amostras consideradas no triénio em análise, os protagonistas homens são os mais representados em qualquer dos serviços noticiosos, com valores acima dos 70%. Já as mulheres representam apenas um quinto dos atores destacados nas peças analisadas. As notícias protagonizadas por ambos os sexos, categoria que abrange atores da mesma área de proveniência, cujo destaque mediático é partilhado2 , representam apenas oito por cento da amostra. 
Se, em algumas áreas, como na política nacional, a presença de representantes femininas tem observado uma evolução favorável, noutros domínios, como no mercado de trabalho, apesar da sua feminização, a liderança das empresas continua a ser ocupada por homens.  (...)». Leia na integra.


segunda-feira, 25 de julho de 2016

«O terceiro género - Muxes de Juchitán, México»





Chegámos ao post seguinte, de Pedro Cardoso, por acaso. Conhecido, não podíamos deixar de o trazer para o Em Cada Rosto Igualdade:

«O terceiro género - Muxes de Juchitán, México

Não são mulheres nem  homens. Não são heterossexuais, bissexuais, nem gays. Rompem identidades a preto e branco e assumem-se em tonalidade maquilhada. São os muxes de Juchitán. Sexualidade cruzada no México tropical.
 Em Juchitán, o corpo não é prisão. Na pequena cidade do estado mexicano de Oaxaca, a ancestralidade zapoteca dita outras regras. Uma bússola diferente em que os pontos cardinais se fundem em macho e fêmea, homem e mulher, masculino e feminino, pénis e vagina. Orientações sobrepostas.
É nesta rotação de ponteiro sem necessidade de norte magnético, que giram os muxes. São o terceiro género de Juchitán. Caminham lado a lado com “os outros” - homens e mulheres - que os aceitam como são: machos biológicos que assumem uma sexualidade aparentemente ambígua. Não trazem rótulos bipolarizados estampados na testa, são “outra coisa” e não são menos por isso. “A mulher está aqui, o homem está ali, e o muxe está in between. Não tenho razões para querer ser mulher (…) Sinto-me bem no meio, esse é o meu espaço. Posso entrar onde as mulheres não podem e onde os homens não podem.”  Testemunho de Felina,  muxe de Juchitán, à jornalista portuguesa Alexandra Lucas Coelho, no livro Viva México».. Continue a ler.

E o livro referido de Alexandra Lucas Coelho:



«Não sei nada do México e tenho uma mochila.Este Octavio Paz ou aquele Juan Rulfo? Os dois. Poetas mexicanos contemporâneos ou Roberto Bolãno? Poetas mexicanos contemporâneos.Uma poeta do mesmo ano que eu: Amanhã é nunca. [...] Ninguém poderá alguma vez dizer que viu a Cidade do México. Quando a começamos ver, calamo-nos, e depois nunca mais acabamos de a ver. Às seis da tarde parece Inverno. Mas não é Inverno, é a estação das chuvas. O Verão começou ontem. O chão brilha.Os aztecas celebravam a chuva como um deus. Também receberam Cortés como um deus, abrindo os braços ao apocalipse, e por cima do apocalipse o império espanhol ergueu esta cidade. Cinco séculos depois é a mais extensa do mundo. Os mexicanos nem a tratam como cidade. Chamam-lhe D.F. ou simplesmente México.Tanta gente junta mete medo. […] Na saída, três barraquinhas de “táxis autorizados” competem pelo preço fixo: o equivalente a dez euros até ao centro. E os residentes mais cautelosos não aconselham a trocar pesos no aeroporto desde que um francês foi seguido e assassinado depois do câmbio. Vinha dar aulas à universidade. A Cidade do México é isto: a partir de agora somos bichos em alerta». +.