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quarta-feira, 21 de março de 2018

NO DIA MUNDIAL DA POESIA | «Tão Bela Como Qualquer Rapaz» | DE ANDREIA C.FARIA | ONTEM DISTINGUIDA PELA SOCIEDADE PORTUGUESA DE AUTORES



Tenho a pedir-vos que não reutilizeis mais nada.
Esse edifício junto à praia, deixai-o
entregue às ruínas,
às folhas do milho,
ao ar salgado.

Que as crianças possam tropeçar nas lajes soltas
e no átrio ecoe, como uma pedreira,
o desejo de muitas mãos.

Deixai dormir as mariposas dentro de lâmpadas partidas
e as formigas engrossarem pelos cantos
como sal.

Não inventeis mais nada,
nem formas eloquentes de evitar que o bronze oxide.
Aceitai o suor do tempo.

Que algumas coisas apodreçam.
Que os elefantes atravessem a planície.
Que as veias rebentem
do esforço de permanecer em pé.

E que nem tudo se sustente como a rosa
se sustenta de florir.

Deixai, deixai os vários pisos incomunicáveis,
o desvão ser cortejado pelo giz dos aviões,
que a lua pouse ali aberto o crânio,
que lhe bata o sol.

Ainda são precisos os templos
onde o pó seja gentil
e incensado
como os pés pela caruma dos pinhais.

Tão bela como qualquer rapaz, Lisboa: Língua Morta, 2017, pp. 54-55.
Tirado daqui

segunda-feira, 21 de março de 2016

NO DIA MUNDIAL DA POESIA | 21 ABRIL | «Vozes Femininas do Neorealismo: Manuela Porto e Maria Barroso» | 15:30H | VILA FRANCA DE XIRA




21 mar 2016 | 15:30 H
Duração: 75 minutos
ENTRADA LIVRE

Vozes Femininas do Neorrealismo: Manuela Porto e Maria Barroso
VOZES FEMININAS DO NEORREALISMO

8ª EDIÇÃO DAS COMEMORAÇÕES
DO DIA MUNDIAL DA POESIA NO MUSEU DO NEO-REALISMO
VILA FRANCA DE XIRA






sábado, 21 de março de 2015

NO DIA MUNDIAL DA POESIA | Judith Teixeira



Sinopse
 (destaques nossos)

«A obra completa, com textos inéditos,  de uma escritora chave do modernismo português. Apesar de Fernando Pessoa ter declarado, em carta de 1924, que Judith Teixeira não tinha «lugar, abstrata e absolutamente falando», o facto é que conservou até à morte um exemplar da revista Europa por ela dirigida. Será então correto afirmar que as mulheres não tiveram qualquer lugar de protagonismo no momento de rutura e transgressão que foi o modernismo português? E, se o tiveram, porque é que foram esquecidas? Chegou a altura de reler Judith Teixeira sem preconceitos. Nascida tal como Pessoa em 1888, e contemporânea de Florbela Espanca, outra mulher a quem quiseram aplicar o rótulo de «poetisa», Judith Teixeira rompeu corajosamente com o padrão do silenciamento das mulheres no contexto do Portugal das années folles, para se tornar um sujeito ativo, que desvendou o corpo feminino sem pejo. Esta nova edição traz a lume cerca de vinte poemas desconhecidos e uma conferência inédita, além de reunir as cinco obras de poesia e prosa que Judith Teixeira publicou em vida. No seu conjunto, o presente volume permite-nos situar devidamente esta escritora no lugar que lhe pertence por direito próprio, ou seja, em plena vanguarda modernista». +
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Chegámos  a  JUDITH TEIXEIRA para o nosso post de hoje - dia 21 de março, Dia Mundial da Poesia - pelo artigo abaixo do JL.  Mesmo que pareça não haver unanimidade sobre o valor da sua obra, só pelo que está escrito no JL,  haveria razões de sobra para a nossa escolha, nomeadamente: para «repensar as exclusões perpetuadas por uma historiografia literária portuguesa tradicionalmente pouco sensível a questões de género» e «para se combater uma certa amnésia cultural  marcada pelo género nas letras portuguesas». 

Mas sendo o Dia Mundial da Poesia, terminemos assim:


                          Mais Beijos

                                                    Devagar... 
                                                    outro beijo... ou ainda... 
                                                   O teu olhar, misterioso e lento, 
                                                   veio desgrenhar 
                                                   a cálida tempestade 
                                                   que me desvaira o pensamento! 

                                                   Mais beijos!... 
                                                   Deixa que eu, endoidecida, 
                                                   incendeie a tua boca 
                                                   e domine a tua vida! 

                                                  Sim, amor.. 
                                                  deixa que se alongue mais 
                                                  este momento breve!... 
                                                  — que o meu desejo subindo 
                                                  solte a rubra asa 
                                                  e nos leve! 


                                                Judith Teixeira, in 'Antologia Poética' 






sexta-feira, 21 de março de 2014

NO DIA MUNDIAL DA POESIA | 21 março | «Esta Gente»


Esta GenteEsta gente cujo rosto 
Às vezes luminoso 
E outras vezes tosco 

Ora me lembra escravos 
Ora me lembra reis 

Faz renascer meu gosto 
De luta e de combate 
Contra o abutre e a cobra 
O porco e o milhafre 

Pois a gente que tem 
O rosto desenhado 
Por paciência e fome 
É a gente em quem 
Um país ocupado 
Escreve o seu nome 

E em frente desta gente 
Ignorada e pisada 
Como a pedra do chão 
E mais do que a pedra 
Humilhada e calcada 

Meu canto se renova 
E recomeço a busca 
De um país liberto 
De uma vida limpa 
E de um tempo justo 


Sophia de Mello Breyner Andresen, in "Geografia"