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quarta-feira, 18 de abril de 2018
terça-feira, 15 de abril de 2014
MARIA DO MAR PEREIRA |«Há mais sexismo nas universidades do que em outras áreas em Portugal»
Em Dezembro de 2013 já nos tinhamos referido ao livro da imagem como pode ver aqui. Agora, ficamos a saber que a sua autora, Maria do Mar Pereira, vai receber, em Maio, por esta obra - Fazendo Género no Recreio | A negociação do género em espaço escolar - o Prémio Internacional para o Melhor Livro em Investigação Qualitativa feito entre 2010 e 2014. E tivemos conhecimento desta distinção porque a colega Elisa Soares, da BNP, chamou a nossa atenção para uma entrevista da investigadaora ao jornal Público, de ontem, disponível aqui. De lá este excerto:
«Se investigasse noutra área, sentiria na mesma discriminação?
Sim. Há mais sexismo nas universidades em Portugal do que em outras áreas, porque são espaços de grande hierarquia, onde não há muita circulação de pessoas, onde as pessoas ficam num cargo décadas. E onde impunemente discriminam sexualmente, assediam sexualmente.
Sim. Há mais sexismo nas universidades em Portugal do que em outras áreas, porque são espaços de grande hierarquia, onde não há muita circulação de pessoas, onde as pessoas ficam num cargo décadas. E onde impunemente discriminam sexualmente, assediam sexualmente.
No doutoramento que fez na London School of Economics, escolheu ir para as universidades portuguesas observar como são encaradas as questões de género. O que encontrou?
Em todas as universidades portuguesas, não há uma excepção, existe um discurso oficial e outro nos corredores. Mesmo que, no discurso oficial, se diga que estas áreas são muito importantes, nos corredores, nas reuniões, nas tomadas de decisão, o que se diz é que são umas mulheres ou uns homens homossexuais a fazer uns estudos que não interessam. Há uma coexistência de um discurso oficial que mudou muito nos últimos anos, de abertura e apreço pelo conhecimento, com uma vida informal, não oficial de corredor, de um grande sexismo, homofobia, fechamento e marginalização de uma série de áreas. Por um lado, parece que a situação está melhor, mas ao mesmo tempo está pior, porque torna-se mais difícil chamar a atenção para esse sexismo e esse conservadorismo. Está escondido, não há tantas provas de que, de facto, existe. Um livro que no estrangeiro é reconhecido como o melhor livro, que faz o maior contributo no mundo, em todas as áreas, em Portugal é tratado como uma área menor que só interessa às mulheres.»
Em todas as universidades portuguesas, não há uma excepção, existe um discurso oficial e outro nos corredores. Mesmo que, no discurso oficial, se diga que estas áreas são muito importantes, nos corredores, nas reuniões, nas tomadas de decisão, o que se diz é que são umas mulheres ou uns homens homossexuais a fazer uns estudos que não interessam. Há uma coexistência de um discurso oficial que mudou muito nos últimos anos, de abertura e apreço pelo conhecimento, com uma vida informal, não oficial de corredor, de um grande sexismo, homofobia, fechamento e marginalização de uma série de áreas. Por um lado, parece que a situação está melhor, mas ao mesmo tempo está pior, porque torna-se mais difícil chamar a atenção para esse sexismo e esse conservadorismo. Está escondido, não há tantas provas de que, de facto, existe. Um livro que no estrangeiro é reconhecido como o melhor livro, que faz o maior contributo no mundo, em todas as áreas, em Portugal é tratado como uma área menor que só interessa às mulheres.»
quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
FAZENDO GÉNERO NO RECREIO | Maria do Mar Pereira
«Como é que um rapaz se torna «respeitado» pelas/os colegas? E o que acontece se não o conseguir? Qual é a diferença entre «pitas» e raparigas «normais»? Que papel desempenha a coscuvilhice na vida das/os adolescentes? E o que mais acontece no recreio das escolas portuguesas?
Estas são algumas das questões que M. M.
Pereira explora nesta obra inovadora na Sociologia e Estudos de Género em
Portugal. Tomando como ponto de partida uma etnografia do quotidiano de uma
turma de 8.º ano de uma escola lisboeta, problematiza-se a performatividade do
género, isto é, o modo como masculinidades e feminilidades são negociadas na
interacção. Examinando como é que as/os jovens constroem e contestam fronteiras
de género, demonstra-se que, mais do que um traço determinado pela socialização,
o género é uma construção diária laboriosa, que produz tanto prazer e união como
desconforto e exclusão, e na qual rapazes e raparigas investem de forma activa
mas ambivalente.
Aliando uma sofisticada discussão teórica a uma análise rica
e acessível do dia-a-dia das/os jovens, esta é uma obra de grande utilidade não
só para investigadoras/es e estudantes interessadas/os em género, sexualidade,
culturas juvenis, educação, e metodologias feministas e etnográficas, mas também
para jovens, pais e professoras/es». +
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