terça-feira, 14 de outubro de 2014

«LIGA DOS CAMPEÕES DE FUTEBOL FEMININO» | A equipa feminina do Clube Atlético Ouriense está na competição




No dia 8 da semana passada nos noticiários da manhã na TSF  a reportagem   Equipa  nacional estreia-se hoje na Liga dos Campeões de futebol feminino:  «Mais logo, a equipa feminina do Clube Atlético Ouriense vai ter pela frente as veteranas do Fortuna da Dinamarca, uma equipa que está na mais importante competição europeia de futebol há mais de dez anos e até já foi finalista.
Já as jogadoras do Atlético Ouriense não são profissionais, têm de pedir férias para entrar nestas competições e, ao contrário do que acontece com quem faz do futebol profissão, não têm tempo para preparações especiais para os jogos. 
A partida com o Fortuna da Dinamarca para a UEFA Womens Champions League está marcada para as 19h45, no estádio municipal de Fátima. Em causa está a passagem aos oitavos de final da prova.
O Atlético Ouriense venceu a fase de grupos, com triunfos sobre o ASA de Telavive, de Israel e sobre as belgas do Standard de Liège».
Pensamos ser de assinalar, uma colega da DGARTES, a Mónica Guerreiro, e outra leitora do Em Cada Rosto Igualdade, tendo dado conta da notícia também nos alertaram para o acontecimento.
Procurámos saber mais, e até, em dado momento, pensámos que a dificuldade ia ser seleccionar trabalhos da comunicação social para trazermos para o blogue.  Todos nós temos a nossa dose de ilusão ... Bom, não encontramos muitos, mas temos, a nosso ver excelente, uma matéria no Observador - «Há campeãs em Ourem que nada recebem em troca». De lá este este excerto:
«(...)
Culpa de Diana e do futebol, parceiros numa relação que fez Ana Pio reparar cedo no que aí vinha. “Na primária já jogava às vezes no intervalo, lá com os rapazes”, recorda a jogadora, ao falar dos tempos em que o irmão mais novo acabaria por ir bater à porta do Ouriense, a equipa ali da terra. “Como eu gostava de ir também, perguntei aos meus pais se podia. Eles não acharam muita piada, mas disseram que sim”, confirma quem hoje é responsável por recambiar para a baliza as bolas que lhe chegam aos pés ou à cabeça. É sempre por lá que anda, perto da grande área, a correr e a pedir a bola, no treino noturno que o Observador foi espreitar a Ourém. A conversa, essa, só viria depois, por telefone. Maldita pressa. E distância, pois assim que a cerca de hora e meia de prática terminou, Diana já tinha outra correria à sua espera — daí a pouco mais de 30 minutos arrancaria da estação, às 23h30, um comboio com destino posto em Coimbra. (...)».
Não foi fácil no dia 8 saber o resultado do jogo, quanto mais acompanhá-lo, mas lá chegou. Perdemos. Como se pode ler aqui. E depois!, até podemos ganhar na segunda-mão, como disse o treinador. Mas no segundo jogo, ouvimos na rádio, nem todas as jogadoras, à partida, vão poder estar presentes - há quem não tenha condições profissionais ou familiares para isso...  



E a terminar, vamos ficar «a torcer», claro!,   pela equipa portuguesa para o  jogo, desta semana,  na Dinamarca. E porque não  fazer nosso, mesmo  que com  a primeira-mão realizada, o comentário  que se pode ler no site da TSF!:

«Boa sorte a todas para o jogo de hoje e para o da 2.ª mão,
 dignifiquem o futebol e o desporto português e em especial como é
 o caso feminino, não deixem de usufruir do jogo e de todo ambiente
 independentemente da pressão, serão as primeiras de muitas a trilhar 
estes caminhos e são exemplo a seguir para muitas jovens
 portuguesas, bom jogo, boa sorte  e muitas felicidades 
desportivas e pessoais».








segunda-feira, 13 de outubro de 2014

NA BIBLIOTECA ESPECIALIZADA ANA CASTRO OSÓRIO | Tertúlia à volta de Carolina Beatriz Ângelo | Outubro | 24 | 17.30h



Entretanto: «Médica, republicana e feminista, (Carolina) Beatriz Ângelo nasceu em 1877, na Guarda, cidade onde realizou os seus estudos liceais. Já em Lisboa, ingressou nas Escolas Politécnica e Médico-Cirúrgica, tendo terminando o curso no ano de 1902.
Na sua carreira médica destaca-se o facto de ter sido a primeira mulher portuguesa a operar no Hospital de São José, sob a direcção de Sabino Maria Teixeira Coelho. Trabalhou ainda no Hospital de Rilhafoles, sob a orientação de Miguel Bombarda, e dedicou-se à Ginecologia, com consultório na baixa lisboeta. A atividade profissional de Beatriz Ângelo foi conciliada com uma intervenção política e social intensa e marcante. Foi uma das principais ativistas da sua época, defensora dos direitos das mulheres, tendo lutado por causas como a emancipação das mulheres e o sufrágio feminino. 

A sua militância em organizações defensoras dos direitos das mulheres iniciou-se em 1906 no Comité Português da agremiação francesa La Paix et le Désarmement par les Femmes. Em 1907 foi iniciada na Maçonaria, ano em que esteve também envolvida no Grupo Português de Estudos Feministas. Em 1909 fez parte do grupo de mulheres que fundou a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, defensora dos ideais republicanos, do sufrágio feminino, do direito ao divórcio, da instrução das crianças e de direitos e deveres iguais para homens e mulheres». Continue a ler.


sábado, 11 de outubro de 2014

OUTUBRO | 11 | Dia Internacional da Rapariga

 
Hoje é o Dia Internacional da Rapariga, e o lado sombrio: 
 
«70 milhões de raparigas adolescentes dizem ser vítimas de violência física desde os 15 anos. Um relatório da Unicef revela que 120 milhões de raparigas com menos de 20 anos tiveram relações sexuais forçadas e uma em cada três esteve casada e foi vítima de violência emocional, física ou sexual praticada pelo maridos ou parceiros.
Os dados indicam que mais de metade das raparigas que foram vítimas de abuso físico nunca procuraram ajuda e muitas afirmaram que não consideram os maus tratos um abuso ou um problema.
Quase metade das adolescentes com idades entre os 15 e os 19 anos considera que é admissível que um parceiro bata na mulher nalguns casos: por exemplo, se a mulher discutir com o marido, se sai de casa sem lhe dizer, se é descuidada com os filhos, se deixa queimar a comida ou se disser que não quer ter relações sexuais.
As taxas mais elevadas de casamentos na infância e adolescência verificam-se nos países da África subsariana e no Sul da Ásia: uma em cada três raparigas casaram antes dos 15 anos». Tirado da TSF.
 
 
Para sair deste estado de coisas, só apostando na educação, e  nisso acredita o Secretário Geral da ONU com a sua Iniciativa Educação Global Primeiro «criada para acelerar o progresso de colocar todas as crianças nas escolas, especialmente raparigas. “Temos o objetivo de ensinar mais do que a ler e a contar, estamos a esforçar nos para criar cidadãos globais que consigam enfrentar os desafios complexos do século XXI”». Saiba mais. E para isto mesmo  o empenho de MALALA que acaba de partilhar com Kailash Satyarthi, activista indiano dos direitos das criança, o  Prémio Nobel da PAZ 2014. São dela as palavras:"Uma criança, um professor, uma caneta e um livro podem mudar o mundo",
 
 
 
 
 

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

OUTUBRO | 10 | Dia Mundial da Saúde Mental


«O Dia Mundial da Saúde Mental é comemorado no dia 10 de outubro desde 1992. Todos os anos, a Federação Mundial de Saúde Mental escolhe um tema.  A intenção da comemoração é colocar temas da saúde mental nas agendas dos governos, para além de centrar a atenção pública na Saúde Mental global, como uma causa comum a todos os povos, para além de limites nacionais, culturais, políticos ou socioeconómicos.
Defende-se a valorização da Saúde Mental, criando uma paridade entre esta e a saúde física nas prioridades das opções governativas dos Estados. Alerta-se também para as necessidades específicas das pessoas com doenças mentais». (tirado daqui). O tema de 2014 é «Viver com Esquizofrenia». Sobre este Dia,  no nosso País, o trabalho seguinte:



No Diário As Beiras de 7 outubro 2014

DIA MUNDIAL DA SAÚDE MENTAL | MUSEU MUNICIPAL DE FARO | Festival Internacional de Cinema e Saúde Mental | De 9 a 11 outubro

veja aqui.
«O Museu Municipal de Faro recebe entre os dias 9 e 11 de Outubro a II edição do FICSAM | Festival Internacional de Cinema e Saúde Mental, que tem a concurso cerca de 58 filmes centrados no tema da saúde mental, oriundos de todo o mundo, num evento que apresenta também várias actividades paralelas.
 Além do cinema, haverá palestras, uma exposição de trabalhos realizados pelos utentes do Forúm Sócio Ocupacional da ASMAL | Associação de Saúde Mental do Algarve intitulada "Recriando a nossa Herança", uma exposição da pintora PULITA sobre o universo psicológico de Fernando Pessoa ,"O desassossego de Fernando Pessoa" e pelo projecto LLartproject de Sofia Trincão e Leif Lønne e ainda um workshop de cinema intensivo digital dinamizado por Diogo Pessoa de Andrade.
 Organizado pela Associação Inconsciente Coletivo e pela Direcção Geral da Saúde, o festival tem este ano como tema Viver com a Esquizofrenia, tema proposto pela World Mental Health Federation (WMHF) para as comemorações do Dia Mundial da Saúde Mental (10 de Outubro). Será apresentada também uma palestra subordinada ao tema dinamizada por técnicos da Associação de Saúde Mental do Algarve e pela equipa do Serviço de Psiquiatria e Saúde Mental do Hospital Central do Algarve». Continue a ler.



quinta-feira, 9 de outubro de 2014

PASTORAL DA CULTURA| «As mulheres e a desigualdade: Que caminhos?»

de Pablo Picasso

«As mulheres e a desigualdade: Que caminhos?» é um artigo  que integra a edição n.º 21 do “Observatório da Cultura”, da Pastoral da Cultura,  da autoria de  Ângela Barreto Xavier,  Investigadora do Instituto de Ciências Sociais,  da Universidade de Lisboa,  aqui o divulgamos:


As mulheres e a desigualdade: Que caminhos?
Um olhar rápido sobre estatísticas recentes mostra-nos que no nosso país há aproximadamente mais 500 000 mulheres do que homens, mais 20 000 mulheres matriculadas no ensino superior, mais 250 000 mulheres com uma licenciatura completa (formando-se, por ano, e em relação aos homens, o dobro de médicas e o quádruplo de enfermeiras), mais 200 mulheres a doutorar-se cada ano. Números impressivos e que dão conta do que tem significado, para muitas mulheres portuguesas, viver em democracia.
Todavia, estes números ocultam tanto quanto iluminam. Desde logo porque há menos 300 000 mulheres do que homens no mercado de trabalho. Depois, porque os homens ganham mensalmente, e em média, mais 200 euros do que as mulheres. Ainda, porque são escassas as mulheres nos lugares cimeiros das instituições para as quais trabalham. Apesar de haver mais mulheres doutoradas e com o ensino superior completo, nas universidades são muitos mais os docentes que são homens. E é igualmente significativo que 2/3 dos deputados da Assembleia da República sejam homens! 
Este breve diagnóstico revela mais coisas. A par do tradicional papel de esposas e mães, o regime democrático comportou uma dignificação social da mulher. Mas apesar da importante redução das assimetrias que essa dignificação social comportou, a desigualdade de género permanece, já que as mulheres continuam a ter uma presença bastante inferior à dos homens nos lugares de decisão, sendo frequentemente constrangidas por decisões nas quais a sua voz não se faz ouvir. Esta tendência agrava-se quando cruzamos estes dados com outras variáveis, tais como a classe e a imigração, contribuindo para instituir uma falha dolorosa no seio da comunidade das mulheres. Efetivamente, a assimetria é muito menor quanto mais elevada é a classe social, ou quando a mulher está plenamente integrada e reconhecida na e pela sociedade portuguesa. Também entre as mulheres há quem seja capaz de se fazer ouvir - caso da autora destas linhas -, e quem não o consiga.
Como agir perante estes cenários? Como reduzir simultaneamente a desigualdade de género e a desigualdade de classe e de “etnia”, de modo a construirmos uma sociedade verdadeiramente inclusiva, justa e representativa? Estaremos verdadeiramente dispostos a lutar pelos direitos de (todas) as mulheres? Como reduzir o fosso que ainda separa homens e mulheres, mas também mulheres ricas e mulheres pobres, mulheres portuguesas e aquelas que não o são? E como é que a Igreja pode (e deve?) contribuir para a redução deste fosso, sendo que a radiografia que se faz para Portugal também se aplica, por vezes com maior propriedade, à Igreja (sobretudo se atendermos aos muitos impedimentos que as mulheres enfrentam dentro da comunidade eclesial)?
Porque historiadora de profissão, tenho alguma sensibilidade à construção histórica de um senso comum sobre o “lugar das mulheres” na família e na sociedade, e a sua expressão normativa e institucional. Ora, tal como aconteceu no Portugal dos últimos quarenta anos, a imagem da mulher foi-se alterando de forma muito significativa nos últimos séculos, aceitando-se hoje como normais situações que seriam outrora impensáveis. Na verdade, poderia até dizer que, na atualidade, o domínio do impensável até se inverteu. O que é impensável para boa parte das mulheres é elas não poderem ser muito mais do que aquilo que já alcançaram, sem isso ser entendido como algo de anormal, que desequilibra e que inquieta, que põe em causa a ordem tradicional das coisas, que revela uma ambição desmesurada; sendo, por isso mesmo, indesejável. O que é impensável é que lhes sejam vedados vários caminhos por mera imposição masculina.
Estou ciente de que é muito mais fácil colocar questões e elaborar discursos do que oferecer boas respostas. Ainda assim, mesmo não havendo respostas nem óbvias nem imediatas, e mesmo que (para já) não haja boas respostas, acredito que é relevante levantar questões, uma, duas, muitas vezes, e apontar caminhos possíveis.
Um dos caminhos que está a ser trilhado é o que pugna por políticas públicas que permitam que as várias identidades que mulher desempenhou no passado e desempenha no presente não sejam mutuamente excludentes (tal como elas não o são entre os homens), permitindo a conciliação, nomeadamente, entre obrigações laborais muito exigentes e uma vida familiar que requer uma ainda maior dedicação.
Um segundo caminho é continuar a lutar pela representação equitativa de género nos fóruns de tomada de decisões, seja na sociedade civil, no mundo da política, como também na comunidade eclesial. Estamos ainda longe de alcançarmos comunidades em que as discussões e as decisões relativas às mulheres sejam por elas partilhadas, e não violentamente impostas por mecanismos de decisão que tendem a excluí-las, ou a subrepresentá-las. Só quando alcançarmos uma maior equidade na representação e na decisão é que as mulheres se reconhecerão no que vai sendo decidido (sabendo, evidentemente, que não há, nem devem existir, posições completamente consensuais).
Um terceiro e inevitável caminho é a luta pela justiça social. É premente conseguir que mulheres pobres e ricas, portuguesas e não portuguesas possam aceder, de forma equitativa e autónoma, aos vários mundos de reflexão e ação, e sentirem que aí têm uma história própria, em vez destes caminhos serem apenas acessíveis às que estão socialmente mais bem posicionadas, e vedados à maioria das mulheres, tantas vezes relegadas para posições subalternas e multiplamente dependentes.
Para que tudo isso aconteça, as mulheres não podem estar sozinhas e apenas entre mulheres. Para que isso aconteça, é imprescindível que as mulheres (todas as mulheres) tenham os homens ao seu lado. Os seus pais, os seus irmãos, os seus maridos, os seus amigos, os seus filhos, os seus colegas de trabalho e os seus patrões. Os seus sacerdotes e os seus bispos.
A meu ver, não se trata de uma reivindicação. Mas sim, e apenas, da restituição da dignidade que se pressente desde as primeiras páginas da Bíblia, e que se torna inquestionável com a chegada de Cristo e com a maneira como Ele comunicou com (todas) as mulheres.

«IGUALDADE DE GÉNERO PÓS 2015»




Numa ocasião em que a discussão da IGUALDADE DE GÉNERO DEPOIS DE  2015 está na generalidade das agendas - lembre-se, por exemplo, a iniciativa que vai ter lugar amanhã:

«BEIJING + 20» | APRESENTAÇÃO DO «RELATÓRIO EWL - European Women?s Lobby» | 10 outubro 2014 | 15:00h | Escola Básica e Secundária Passos Manuel - Lisboa,

escrevendo-se a propósito que  «À beira de 2015, queremos garantir que as vozes das mulheres e das raparigas na Europa sejam ouvidas ao nível das Nações Unidas e da União Europeia, no momento em que os Estados Membros irão discutir a Plataforma de Ação de Pequim e acordar compromissos de futuro. Esta é a razão do lançamento deste relatório em Outubro de 2014, contribuindo para este processo a vários níveis» - a chamada de atenção para o relatório da imagem produzido aquando do workshop referenciado na capa, a 3 de setembro último - ver  post anterior «UMA NOVA ESTRATÉGIA PARA A IGUALDADE DE GÉNERO APÓS 2015».

Por outro lado, igualmente como ilustração, no próxima segunda-feira: «On 13 October, FEMM Members will hold a first exchange of views on the own-initiative report on "The EU Strategy for equality between women and men post 2015", in view of the new Strategy to be drafted by the European Commission in order to review the current six priority areas and evaluate the progress made. FEMM report will be drafted by Ms Noichl (S&D) and will serve as an input from the European Parliament to the Commission on the new Strategy». +.
Naturalmente, no Em Cada Rosto Igualdade continuaremos a seguir estas dinâmicas.



quarta-feira, 8 de outubro de 2014

CIG | REVISTA NOTÍCIAS | Saíu o n.º 90 | Tema: COEDUCAÇÃO



Saiu  o número 90 da NOTÍCIAS, publicação periódica da CIG - Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género -  que há 29 anos, como se pode ler no editorial da acabada de sair, «pretende contribuir "para a melhoria da condição feminina e, com ela, da condição humana", princípios pelos quais, ao longo destas três décadas, tem vindo a pugnar». O tema desta edição é COEDUCAÇÃO, e sobre o seu conteúdo, o excerto seguinte também do editorial:


terça-feira, 7 de outubro de 2014

CECÍLIA HONÓRIO | «As Mulheres Contra a Ditadura»


«A primeira "elite" de mulheres que lutou contra a ditadura no pós-guerra nasceu no Movimento de Unidade Democrática Juvenil (MUDJ, 1946-1957). Filhas de juízes, de conservadores, de médicos, advogados, militares, ou de empresários, filhas de oposicionistas, republicanos sobretudo, elas foram jovens escolarizadas à procura de respostas políticas novas, diferentes das de seus pais. Burguesas, muitas universitárias, que arrastaram operárias e trabalhadoras rurais para o MUDJ, com a sua capacidade de liderança e de organização. Este trabalho destina-se a dar visibilidade às raparigas do MUDJ, que arriscaram, estiveram presas, leram livros proibidos, recrutaram, discursaram, militaram nas campanhas, discutiram animadamente nos cafés, e desafiaram até a moral e os bons costumes do tempo, com a sociabilidade mista, que juntava raparigas e rapazes nos passeios no campo, nos piqueniques, ou cantando Lopes Graça. Vai à procura das que começaram a sua vida política no MUDJ e das muitas que passaram da luz à sombra, mesmo quando não desistiram de lutar contra a ditadura». +

«SAÚDE MENTAL E ARTE» | Obras de pintura e escultura em exposição | CINCO ESPAÇOS | COIMBRA


Jornal de Notícias
4 OUT 2014

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

«BEIJING + 20» | APRESENTAÇÃO DO «RELATÓRIO EWL - European Women?s Lobby» | 10 outubro 2014 | 15:00h | Escola Básica e Secundária Passos Manuel - Lisboa




«Agindo como um fórum de partilha de conhecimento e de experiências, de cooperação e de integração, multiplicando a ação das organizações de mulheres na Europa enquanto agentes ativos no desenho e implementação das políticas europeias para a igualdade de género, o EWL procura contribuir para que a implementação da Plataforma de Ação de Pequim se consubstancie como prioridade na agenda política. Assim, o EWL tem contribuido para a revisão regular da Plataforma de Ação de Pequim através da realização e publicação da sua própria avaliação quanto à implementação, a nível europeu, da Plataforma de Ação de Pequim. Até à data foram produzidos dois relatórios, um em 2005, Beijing+10, e outro em 2010, Beijing+15.
À beira de 2015, queremos garantir que as vozes das mulheres e das raparigas na Europa sejam ouvidas ao nível das Nações Unidas e da União Europeia, no momento em que os Estados Membros irão discutir a Plataforma de Ação de Pequim e acordar compromissos de futuro. Esta é a razão do lançamento deste relatório em Outubro de 2014, contribuindo para este processo a vários níveis. O relatório examina o estado de arte relativo à implementação das 12 áreas de ação ao nível europeu, incluindo progressos e lacunas existentes, contemplando uma análise rigorosa sobre a situação das mulheres e das raparigas na Europa. Apresenta, ainda, recomendações e desafios por forma a constituir-se como referência a decisoras políticas e decisores políticos bem como instrumento de consciencialização sobre Pequim +20 particularmente dirigido a gerações mais novas e aos media». (destaques nossos).

Confirme Presença  até dia 9 de Outubro



MAFALDA FEZ 50 ANOS | Aquela chata de perguntas inconvenientes



«A Mafalda não gosta de sopa mas ouve os Beatles, brinca com os amigos aos cowboys e preocupa-se com a guerra no Vietname. Criada pelo argentino Quino, a personagem de banda desenhada é uma menina de 5 anos (acompanhamos as suas aventuras ao entrar para a escola primária), da classe média, pequena mas muito inteligente. A primeira história da Mafaldinha foi publicada a 29 de setembro de 1964 no semanário Primera Plana». + no DN.
E na Pastoral da Cultura:
«(...)
Meio século e centenas de vinhetas não mudaram Mafalda. A menina morena e espevitada de Buenos Aires continua a provocar com as suas frases ingénuas e, ao mesmo tempo, embaraçantes. Porque a pequena ainda não aprendeu as regras da convivência e do politicamente - ou socialmente - correto. O mundo adulto é para ela um mistério a explorar. E para o fazer interroga, com a desmesurada liberdade dos seus seis anos, pais, professores, vizinhos. As perguntas são tão concretas que parecem absurdas. Ou talvez absurda seja a hipocrisia atrás da qual os "grandes" escondem as suas contradições. Em 2014 como em 1964.
Era o dia 29 de setembro quando na revista "Primera Plana" apareceu pela primeira vez a sua cabeleira rebelde. A desenhá-la estava a mão de Joaquín Salvador Lavado Tejón, "Quino" como nome artístico. «Sim, Mafalda é mesmo uma chata», ri o autor que, aos 82 anos, é um dos mais célebres desenhadores latinoamericanos vivos. Também - e em boa parte - graças àquela «chata».
O primeiro livro de Mafalda, publicado na Argentina em 1966, esgotou em quinze dias. Em meio século, as suas tiras - publicadas em 50 países e traduzidas em 20 línguas - venderam 50 milhões de cópias.
O dado mais surpreendente é que continuam a vender. Mafalda não envelheceu. É impressionante como as suas «perguntas inconvenientes» parecem escritas precisamente para realçar os contrassensos da nossa sociedade.
«Nunca imaginei que pudesse permanecer tão atual. Quando parei de a desenhar, em 1973, não pensava que Mafalda pudesse continuar a ter um tal sucesso. Surpreende-me o afeto que as pessoas nutrem ainda em relação a ela. As crianças, sobretudo... O que, por um lado, me alegra. Por outro, no entanto, entristece-me. Quer dizer que o mundo, as suas injustiças, as desigualdades, os conflitos - problemas, em suma, que Mafalda denunciava há meio século - permaneceram imutáveis. Na verdade, se alguma coisa mudou, foi para pior... Mas eu sou um pessimista.»
E no entanto, ao lê-la, não se diria. Mafalda tem um toque poético mesmo quando diz e mostra o que não queremos ver... Precisamente pelo seu conteúdo social, muitos consideram-na uma banda desenhada para adultos. Está de acordo?
«Sim. Como, de resto, também o Snoopy e a Pantera Cor de Rosa não são bandas desenhadas para crianças. Limitei-me a meter na boca de uma menina de seis anos conceitos simples e, por isso, subversivos.». Continue a ler.
Uma vez mais, a força da arte !  

«O PODER NO FEMININO» | Em Palco

 

«Women Power» foi um ciclo de três espectáculos que em fins de setembro foram apresentados em Guimarães dirigidos e interpretados por três mulheres. O Pequeno Auditório do Centro Cultural Vila Flor recebeu :

- O espetáculo de Cláudia Dias que dirige, coreografa e interpreta Vontade de ter vontade, uma peça que nasce do sentimento de confrontação geracional que Cláudia diz sentir em relação aos seus alunos. 
- Raquel Castro  que apresentou Os dias são connosco, «uma reflexão sobre o quotidiano, a relação mãe-filha, a realização profissional, o dinheiro, a família, o amor, o envelhecimento. Quando a sua filha nasceu, Raquel Castro iniciou um diário em vídeo de 365 dias para poder mostrar-lhe, mais tarde, o seu primeiro ano de vida. Inspirada por esse registo privado e documental, decidiu depois criar um espetáculo, uma carta-vídeo de uma mãe para uma filha que é também um retrato de uma pessoa e do mundo que a rodeia, feito ao vivo para ser visto no futuro». 
- Dani Brown,  com How do you imagine the devil?, uma peça que brinca com as identidades, os limites e o proibido.


os espectáculos existem quem sabe ao sabê-lo haverá quem esteja interessado em MOSTRÁ-LOS A OUTROS PÚBLICOS À SEMELHANÇA DE GUIMARÃES. Saiba mais.




sexta-feira, 3 de outubro de 2014

CANDIDATURAS |“Desenvolvimento de Instrumentos e Métodos Promotores da Igualdade de Género ao Nível Local” | ATÉ 1 DEZEMBRO 2014



«Até ao próximo dia 1 de dezembro, encontra-se aberto o concurso para a apresentação de candidaturas no âmbito da 2ª Open- Call “ Desenvolvimento de instrumentos e métodos promotores da igualdade de género ao nível local.”
O concurso conta com o montante total disponível de 390.233 € e tem como objetivo financiar a criação de instrumentos e métodos que promovam a igualdade de género e a redução da desigualdade salarial nos quadros das entidades públicas e privadas locais, assim como o apoio à cooperação e fortalecimento das relações bilaterais entre as instituições dos Estados Doadores (Islândia, Liechtenstein e Noruega) e Portugal».

De assinalar que esta iniciativa faz parte do Programa 


«Integração da Igualdade de Género 
Promoção do Equilíbrio entre 
o Trabalho e a Vida Privada»

CANDIDATURAS | “Desenvolvimento de Instrumentos de Avaliação das Medidas Legislativas Promotoras da Igualdade de Género em Portugal” | ATÉ 1 DEZEMBRO 2014



«Até ao próximo dia 1 de dezembro, encontra-se aberto o concurso para a apresentação de candidaturas no âmbito do Small Grant Scheme – Projetos de menor dimensão: “Desenvolvimento de instrumentos de avaliação das medidas legislativas promotoras da Igualdade de Género em Portugal”.
O concurso conta com o montante total disponível de 390.233 € e tem como objetivo financiar projetos de menor dimensão que desenvolvam instrumentos e métodos que permitam avaliar as medidas legislativas promotoras da Igualdade de Género em Portugal, assim como o apoio à cooperação e fortalecimento das relações bilaterais entre as instituições dos Estados Doadores (Islândia, Liechtenstein e Noruega) e Portugal».

De assinalar que o concurso está integrado no  Programa 

«Integração da Igualdade de Género
 e Promoção do Equilíbrio entre o 
Trabalho e a Vida Privada»




«MULHERES E REPÚBLICA»




Está a decorrer, na Biblioteca Nacional , o Congresso da imagem, e ontem houve um Painel  sobre MULHERES E REPÚBLICA. Já passou, mas, ainda assim, o debatido: 


Assistimos ao painel, a nosso ver muito produtivo, e do que se abordou escolhemos  para continuar a lembrar: BEATRIZ PINHEIRO, uma mulher que não pode estar no esquecimento como lá foi afirmado. 

Beatriz Pinheiro

Segundo Ana Bela Silveira: «Beatriz Pinheiro, republicana, feminista, pedagoga, escritora, membro da Liga Portuguesa da Paz e defensora da participação de Portugal na 1ª Guerra Mundial, correligionária de Afonso Costa no Partido Democrata, natural de Viseu, onde nascera em 1872, foi uma das vozes inovadoras do pensamento feminista português, tendo publicado na revista Ave Azul, que viu a luz nos dois derradeiros anos do século XIX, textos que tocaram indelevelmente o ideário e a prática das feministas lusas nas primeiras décadas de novecentos.
Pena desassombrada e corajosa, Beatriz Pinheiro usou as páginas da revista Ave Azul, de que era directora juntamente com seu marido, Carlos de Lemos, para, ao longo de dois anos - 1899 e 1900 -, defender a igualdade entre sexos, o direito das mulheres a uma educação em tudo similar à dos homens, a que se juntava o direito à escolha de uma profissão e ao trabalho justamente remunerado.
No fascículo nº 8, com a data de 13 de Junho de 1899, aproveitando para criticar o dote que a jovens levavam para o casamento, Beatriz Pinheiro discorre pela primeira vez sobre a exploração das mulheres pelos homens, a falta de perspectivas em que estas viviam, por falta de instrução e de mercado de trabalho, acabando por equiparar a luta feminina ao levantar dos servos contra Roma e aos acontecimentos da Comuna de Paris. Mas ao defender o direito da mulher à educação e ao trabalho, Pinheiro não esquece o homem, que não vê como inimigo, mas nele reconhece o outro igual».
Continue a ler. E saiba mais no Blogue Silêncios e Memórias.


Trazemos também o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, que não tem a divulgação merecida,  como sublinhado na conferência,  recorrendo a este texto de um dos oradores - João Esteves (o autor do Blogue acima mencionado) - que começa assim:
Fundado em Março de 1914, sob a égide da médica ginecologista Adelaide Cabete (1867-1935), o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas tornou-se na mais importante e duradoura organização de mulheres da primeira metade do século XX português e foi a única a lograr perdurar para além do Armistício, mantendo actividade ininterrupta até 1947, quando as autoridades salazaristas determinaram o seu encerramento.
A primeira tentativa de se fundar em Portugal um Conselho terá surgido ainda na primeira década, quando Carolina Michaëlis de Vasconcelos apresentou à escritora Olga de Morais Sarmento a canadiana Mrs. Sânford, “vinda de longe, em viagem de propaganda, a fim de tentar a formação de um Conselho Nacional de Mulheres portuguesas dispostas a trabalharem energicamente a favor do Bem”[2]. Num cartão, não datado, Carolina Michaëlis sugere-lhe que reunisse “em sua casa algumas senhoras que falam inglês - e que desejam colaborar no movimento feminista”, já que “prestava-nos, com certeza, um grande serviço”, podendo recorrer àquelas que constituíam a Liga Portuguesa da Paz. Tais diligências não tiveram consequências e só em 1914 é que ele se concretizaria, em resultado do empenho de Magalhães Lima, “grande republicano e incansável propagandista das ideias novas”[3], e da feminista Adelaide Cabete. Continue a ler.
De facto, há muito a que dar visibilidade.


quinta-feira, 2 de outubro de 2014

HELEN CLARK | Sobre as Mulheres na Liderança nos Negócios e nas Administrações Públicas



Artigo no magazine «Eco-Business» de agosto-setembro 2014

Em particular, sobre as mulheres na Administração Pública o excerto seguinte:



NO DIA INTERNACIONAL DAS PESSOAS IDOSAS 2014 | CARMEN DOLORES | «Nunca perco tempo a pensar na idade»


                                             Elderly women                                                  Carmen Dolores
                                                  in Chengdu. UN photo/John Isaac
                                           Tirada daqui.                                                                                      


Papa Francisco

Ontem, dia 1 de Outubro,  foi o «Dia Internacional do Idoso», melhor dizendo, ontem foi o «Dia Internacional das Pessoas Idosas». O  tema para 2014 indicado pela ONU:

«Leaving No One Behind: Promoting a Society for All»

Hoje, em Banguecoque, termina  o workshop  Social Integration and the Rights of Older Persons, como se pode saber no site da ONU no espaço sobre esta problemática - neste endereço. Lá, possibilidade de se aceder  a materiais relevantes, por exemplo:


Neste ambiente, faz sentido recordar palavras do Papa Francisco, de domingo passado, aquando da «Festa dos avós» : «pediu  que os lares de idosos sejam “realmente casas e não prisões”,  Perante cerca de 40.000 idosos que e encheram a praça, o pontífice argentino disse: “não podem existir centros onde os anciãos vivam esquecidos e escondidos”. “As residências devem ser pulmões da humanidade num país, num bairro ou numa paróquia. Devem ser santuários de humanidade onde quem é velho e débil é cuidado como um irmão mais velho”, acrescentou». +
E a propósito «do DIA» no nosso País, no jornal online Obseravdor, o trabalho  Um nascer do sol para pessoas que já o veem há mais de 80 anos, donde:


Comum a todos os premiados foi a ideia de que não mereciam a distinção.
“Nunca perco tempo a pensar na idade. Não penso nisso porque
não tenho tempo”,  disse Carmen Dolores, arrancando risos à plateia, que antes
se erguera seis vezes para aplaudir de pé cada um daqueles que
 envelheceram ativamente. Também Fernando de Pádua reiterou
a ideia de que a vida não lhe vai chegar para tudo o que quer
fazer. E deixou conselhos, que apelidou de AEIOU: “alimentação, exercício,
 inibir de fumar  e beber, omitir o sal, uma visita ao médico por ano”.

Voltando ao global, o envelhecimento é um dos problemas demográficos a que a humanidade tem de fazer face: veja aqui. E regressando ao local, um ocasião oportuna para lembrar:


E terminemos com as palavras do Secretário geral das Nações Unidas:

"Older persons make wide-ranging contributions to economic and social development. However, discrimination and social exclusion persist. We must overcome this bias in order to ensure a socially and economically active, secure and healthy ageing population."

Secretary-General Ban Ki-moon


OLÁ CRIANÇAS ! OLÁ JOVENS ! TALVEZ LHES INTERESSE (43) | O Mundo à Nossa Volta | Cineteatro de Serpa | 2 OUT 2014 | 18:30H