sexta-feira, 17 de outubro de 2014

«DIA INTERNACIONAL PARA A ERRADICAÇÃO DA POBREZA» | 17 outubro | EM PORTUGAL «acentuou-se o crescimento da taxa de risco de pobreza de crianças»




Comecemos com uma nota  da Oikos, organização portuguesa para a Cooperação e Desenvolvimento, enviada à Agência ECCLESIA: «frisa que apesar do “compromisso mundial assumido em 2000” pelos países mais desenvolvidos, que passava pela “erradicação da pobreza extrema em 15 anos”, ainda há “muito por fazer”. Segundo os dados da Oikos, hoje “mais de mil milhões de pessoas (uma em cada sete) passam fome e 200 milhões sobrevivem sem emprego”.
Isto apesar de já estarem reunidos “os meios para poder acabar com a pobreza e a desigualdade”, aponta a organização. Para a Oikos, o Dia Mundial para a Erradicação da Pobreza “representa uma excelente oportunidade para informar e sensibilizar crianças, jovens e adultos para a dura realidade da pobreza extrema e para a necessidade urgente de atuar, no sentido da erradicação da mesma”». +
Depois, do site da ONU o tema para o Dia deste ano:

«2014 Theme: Leave no one behind: think,
decide and act together against extreme poverty»

e onde se pode saber também:
«The International Day for the Eradication of Poverty has been observed every year since 1993, when the United Nations General Assembly, by resolution 47/196, designated this day to promote awareness of the need to eradicate poverty and destitution in all countries. Fighting poverty remains at the core of the Millennium Development Goals (MDGs) and the development of the post-2015 development agenda.
The 2014 theme recognises and underscores the demanding challenge of identifying and securing the participation of those experiencing extreme poverty and social exclusion in the “Post-2015 Development Agenda” that will replace the Millennium Development Goals». Continue a ler.


Por fim, para o nosso País,  um trabalho do INE acabado de sair, precisamente por ocasião deste  «Dia Internacional da Erradicação da Pobreza»:

Resumo Por ocasião da comemoração do Dia Internacional da Erradicação da Pobreza (17 de outubro), o INE apresenta os resultados definitivos do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento realizado em 2013, sobre rendimentos de 2012, privilegiando uma análise sobre a condição particular da população infantil.
De acordo com este inquérito, 18,7% das pessoas estavam em risco de pobreza em 2012, o valor mais elevado no período iniciado em 2009. Nesse ano acentuou-se sobretudo a tendência de crescimento do risco de pobreza para as/os menores de 18 anos (24,4%, valor superior em 2,6 p.p. ao verificado em 2011). A tendência para o risco de pobreza na população infantil ser superior ao da restante população é comum ao observado para a União Europeia (UE27), mas a distância entre as famílias com crianças dependentes residentes em Portugal e a média registada para o mesmo tipo de famílias na UE27, tem vindo a aumentar.
As crianças , grupo populacional com riscos de pobreza ou exclusão social superiores aos da população em geral desde 2010, foram as mais afetadas pelo aumento da pobreza ou exclusão social (mais 3,8 p.p. entre 2012 e 2013).
O risco de pobreza para as crianças diminuía com o aumento do nível de escolaridade completado pelos pais, sendo de 37,5% para aquelas com pais que não tinham completado pelo menos o ensino secundário, de 14,1% quando os pais concluíram o ensino secundário ou pós-secundário (não superior) e de 4,1% quando os pais possuíam habilitações académicas de nível superior. Esta condição está alinhada com o facto de, em média, o risco de pobreza para a população adulta diminuir com o aumento do nível de escolaridade. O risco de pobreza para quem possuía habilitações ao nível do ensino secundário ou superior é cerca de metade do risco enfrentado por alguém que detém habilitações académicas inferiores ao ensino secundário.
Saiba mais.  Em particular sobre a pobreza das crianças:




O PRESIDENTE DA MICROSOFT RECONHECE QUE ERROU AO DIZER «que as mulheres que não pedem aumentos de salários têm "bom karma"»


O  CEO da Microsoft pede desculpas depois dos comentários 
que fez sobre o pedido de aumento de salários por parte das mulheres


A notícia merece ser lida: «Perante uma plateia maioritariamente feminina, o presidente executivo da Microsoft disse precisamente aquilo que não devia, como o próprio reconheceu horas mais tarde. Satya Nadella afirmou que as mulheres que não pedem aumentos de salários têm “bom karma” e que, em vez de pedir um ordenado melhor, as mulheres devem “ter fé”, pois “o sistema” encarregar-se-á de “dar os aumentos corretos” ao longo da sua carreira.
“E isso eu penso que seja um dos super-poderes adicionais que as mulheres que não pedem aumentos têm. Porque isso traz bom karma, vai trazer retorno. Porque alguém vai dizer que esse é o tipo de pessoa em quem eu quero confiar; é o tipo de pessoa a quem eu realmente quero dar mais responsabilidade”, afirmou Nadella.
O presidente da Microsoft falava numa conferência de celebração das mulheres que trabalham em tecnologia e respondia a uma pergunta sobre trabalhadoras que têm medo de pedir igualdade salarial entre homens e mulheres: “Que conselho daria às mulheres que estão interessadas em progredir nas suas carreiras, mas que não se sentem confortáveis a pedir um aumento?”
Ao que consta, a plateia não terá gostado da resposta do patrão da Microsoft, seguindo-se um burburinho em toda a sala. Até porque, segundo estudos recentes, as mulheres que trabalham na área tecnológica, nomeadamente em Silicon Valley – onde se situam as grandes empresas de tecnologia dos Estados Unidos – ganham menos metade do que os homens». Continue a ler no OBSERVADOR.
Valha-nos o reconhecimento do erro, a que se refere o video, mas, ainda assim,  duvidamos que a linguagem do discurso alguma vez aparecesse se dirigido a homens. Ou seja, há uma cultura entranhada: premiar a mulher silenciosa e obediente. Contra isso,  já se fez muito caminho, mas ainda há muito para andar. Todos os dias, a realidade a mostrá-lo.


quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Lançamento da Campanha APANHADOS NO TRÁFICO HUMANO | Outubro | 17 | 16:00h | AEROPORTO INTERNACIONAL DE LISBOA



O PODER DA CULTURA E DA ARTE | «Negócios Estrangeiros»



A ideia de trazer  «Negócios Estrangeiros» dos DaWeasel / José Peixoto para o Em Cada Rosto Igualdade surgiu quando vimos este post. Uma vez mais, o poder da cultura e da arte. Em paralelo,  um bom momento para registarmos a descrição de CULTURA tirada de um artigo - «A Cultura não é um luxo» - de José Tolentino Mendonça na Revista do Expresso  de 4 de outubro: 

«A cultura permite-nos entrar em nós próprios. É uma janela e igualmente um espelho. Um dos perigos contemporâneos é a transformação da cultura em indústria de entretenimento, recheada de produtos de consumo rápido e sonâmbulo, capturada pelo simplismo dos modelos. Porém, a cultura digna desse nome é aquela que dialoga com as grandes necessidades da vida e nos abre incessantemente à profundidade e à complexidade do real». 

Pode ler-se  mais  na Pastoral da Cultura.
E agora, então,  a letra  da canção do video:  

Negócios Estrangeiros
Já foi ao Intendente, Sr Presidente?
Compreendo que tenha pouco tempo,
Cada movimento precisa de um documento,
Isso é algo que eu consigo compreender
Mas, precisa de ver, Sr. Presidente, os seus próprios
olhos, têm um olhar diferente de toda a gente.
Deixe em casa os óculos de ver ao longe, a realidade
não foge,
A realidade está sentada e espera toda a noite por
nada,
ou encosta-se a uma parede,
Talvez com fome, talvez com sede.
Fumo um cigarro no infinito,
Descubro na escuridão 1 grito, dentro de si próprio.
A realidade chegou à 6 meses da Nigéria, do Senegal ou
da Costa do Marfim.
A realidade não tem fim.
Com uma nota de 20 euros chego onde quiser,
A realidade é uma mulher.

Já foi ao Intendente, Sr. Presidente?
Não vá em visita de Estado, deixe o carro blindado na
garagem,
Dê folga aos guarda-costas,
Finja que vai de viagem e apanhe o metro,
Saia no Martim Moniz e caminhe,
Faz bem caminhar, apanhar ar, respirar.
Passear no Intendente é um passeio original,
È um passeio diferente sem sair de Portugal.
Vá para fora cá dentro, vá aos subúrbios do Mundo no
centro da cidade
Igualdade, integração social, seja por 10 minutos um
emigrante ilegal, como se chegasse do Brasil, do
Paquistão.
Vá ao Intendente e invente uma solução que satisfaça
aos que já chegaram e chegarão.
Mesmo que não tenha vontade de ir, vá ao Intendente,
Sr Presidente.
Aprenda, para chegar é sempre preciso partir.

Já foi ao Intendente, Sr presidente?
Não leve a sua comitiva, não leve o telejornal
Leve-se a si próprio e avance natural,
Como se não fosse ignorado
Vá num dia normal ou num feriado, mas vá.
Por lá sua presença é urgente, no intendente.
Tem pouca diferença de uma Assembleia das Nações
Unidas.
A sua presença pode ajudar a salvar vidas vindas da
Ucrânia, da Roménia, Moldávia, Moçambique, Cabo Verde
e Angola.
Porque o Mundo, Sr. Presidente, não é mais do que uma
bola, talvez colorida, talvez entre as mãos de uma
criança.
Mas esse mesmo Mundo, Sr. Presidente, perde cor todos
os dias.
Quando eu largo, nesse largo, que eu largo, quando eu
largo, no Intendente.


José Luís Peixoto

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Voltamos às Jornadas Internacionais FALAR DE MULHERES / 10 ANOS DEPOIS | Outubro | 20 e 21 | ENTRADA LIVRE sujeita a inscrição até 17 outubro


AINDA O LIVRO «AS MULHERES CONTRA A DITADURA» | Lançamento | Outubro | 15 | 18:30h | CCIF/UMAR




Antes, aqui, já nos tínhamos referido ao livro, de Cecília Honório, Mulheres Contra a Ditadura, mas voltemos a ele,  por duas razões. Uma,  vai haver lançamento, com a participação da autora,  hoje, dia 15 de outubro, às 18:30, no Centro de Cultura e Intervenção Feminista (CCIF/UMAR em Lisboa - Rua da Cozinha Económica, Bloco D, Espaços M e N. 
Outra, a entrevista que Cecília Honório deu a Nuno Ramos de Almeida, para o jornal i a propósito do livro. Um excerto:  
«(...)
Mas essa é uma espécie de dupla ruptura com o fascismo: é simultaneamente um instrumento de mobilização dos jovens e uma negação da moral do regime que dividia, como com muros, homens e mulheres...
A ideia é inovadora, faz isso mesmo. É preciso ver que o MUD Juvenil tem esse aspecto de contracultura que é muito importante. As declamações de poesia alternativa, as músicas de Fernando Lopes Graça, os encontros tinham um aspecto de contracultura importante que teve essa forte componente moral e de género. Repara que, embora elas sejam uma minoria, havia uma orientação de haver, pelo menos, uma mulher por estrutura de direcção do movimento, e algumas delas tiveram um papel muito importante.

As mulheres tinham um maior papel na luta, mas a urgência da luta contra o regime não colocava em banho-maria as reivindicações próprias das mulheres?
Eu não ponho em causa as interpretações de perfil feminista que têm sido feitas. Há vários estudos, aqui e no estrangeiro, que apontam que no pós-guerra houve um certo recuo das agendas feministas, e aqui por maioria de razão, devido à ditadura. O movimento unitário é feito com um objectivo muito identificado: o derrube do regime e a instauração da democracia. E é esse objectivo que cria essa unidade tão forte. Pode haver um recuo na agenda feminista, mas não se pode desvalorizar o que é feito. É preciso ler a propaganda: se, por um lado, há um apelo a condições de vida que permitam casamentos felizes e filhos fortes, por outro há também apelos ao fim das discriminações no trabalho e no salário das mulheres trabalhadoras, e sobretudo um forte esforço direccionado para que as jovens participem no movimento e na luta». 




terça-feira, 14 de outubro de 2014

SÓNIA SERRANO | «Mulheres Viajantes»




«Este livro conta a história de várias mulheres que ao longo dos séculos desafiaram convenções por viajarem sozinhas. Através destas viagens, elas desvendam-se a si próprias, partindo à descoberta de um novo mundo: aquele que sempre lhes foi proibido. Sonia Serrano traça dois percursos: o geográfico e temporal, por um lado, escrevendo sobre os lugares por onde estas mulheres se aventuraram e o tempo histórico em que viveram; e, por outro, o da evolução da condição feminina num domínio que, durante séculos, foi protagonizado por homens - a viagem. Desde a destemida Egéria que, no século IV da nossa era, partiu da Península Ibérica para a Terra Santa, ou as mulheres que andaram na aventura das grandes navegações portuguesas, passando pelas arrojadas vitorianas, que palmilharam os confins do vasto império britânico, até ao século XXI, onde encontramos algumas das mais extraordinárias viajantes. Algumas são viagens intimistas, outras políticas e de exploração, por vezes são fugas, quase sempre, procura da felicidade - todas estas mulheres viajaram porque se recusaram a ficar à espera, arriscando a vida». +



«LIGA DOS CAMPEÕES DE FUTEBOL FEMININO» | A equipa feminina do Clube Atlético Ouriense está na competição




No dia 8 da semana passada nos noticiários da manhã na TSF  a reportagem   Equipa  nacional estreia-se hoje na Liga dos Campeões de futebol feminino:  «Mais logo, a equipa feminina do Clube Atlético Ouriense vai ter pela frente as veteranas do Fortuna da Dinamarca, uma equipa que está na mais importante competição europeia de futebol há mais de dez anos e até já foi finalista.
Já as jogadoras do Atlético Ouriense não são profissionais, têm de pedir férias para entrar nestas competições e, ao contrário do que acontece com quem faz do futebol profissão, não têm tempo para preparações especiais para os jogos. 
A partida com o Fortuna da Dinamarca para a UEFA Womens Champions League está marcada para as 19h45, no estádio municipal de Fátima. Em causa está a passagem aos oitavos de final da prova.
O Atlético Ouriense venceu a fase de grupos, com triunfos sobre o ASA de Telavive, de Israel e sobre as belgas do Standard de Liège».
Pensamos ser de assinalar, uma colega da DGARTES, a Mónica Guerreiro, e outra leitora do Em Cada Rosto Igualdade, tendo dado conta da notícia também nos alertaram para o acontecimento.
Procurámos saber mais, e até, em dado momento, pensámos que a dificuldade ia ser seleccionar trabalhos da comunicação social para trazermos para o blogue.  Todos nós temos a nossa dose de ilusão ... Bom, não encontramos muitos, mas temos, a nosso ver excelente, uma matéria no Observador - «Há campeãs em Ourem que nada recebem em troca». De lá este este excerto:
«(...)
Culpa de Diana e do futebol, parceiros numa relação que fez Ana Pio reparar cedo no que aí vinha. “Na primária já jogava às vezes no intervalo, lá com os rapazes”, recorda a jogadora, ao falar dos tempos em que o irmão mais novo acabaria por ir bater à porta do Ouriense, a equipa ali da terra. “Como eu gostava de ir também, perguntei aos meus pais se podia. Eles não acharam muita piada, mas disseram que sim”, confirma quem hoje é responsável por recambiar para a baliza as bolas que lhe chegam aos pés ou à cabeça. É sempre por lá que anda, perto da grande área, a correr e a pedir a bola, no treino noturno que o Observador foi espreitar a Ourém. A conversa, essa, só viria depois, por telefone. Maldita pressa. E distância, pois assim que a cerca de hora e meia de prática terminou, Diana já tinha outra correria à sua espera — daí a pouco mais de 30 minutos arrancaria da estação, às 23h30, um comboio com destino posto em Coimbra. (...)».
Não foi fácil no dia 8 saber o resultado do jogo, quanto mais acompanhá-lo, mas lá chegou. Perdemos. Como se pode ler aqui. E depois!, até podemos ganhar na segunda-mão, como disse o treinador. Mas no segundo jogo, ouvimos na rádio, nem todas as jogadoras, à partida, vão poder estar presentes - há quem não tenha condições profissionais ou familiares para isso...  



E a terminar, vamos ficar «a torcer», claro!,   pela equipa portuguesa para o  jogo, desta semana,  na Dinamarca. E porque não  fazer nosso, mesmo  que com  a primeira-mão realizada, o comentário  que se pode ler no site da TSF!:

«Boa sorte a todas para o jogo de hoje e para o da 2.ª mão,
 dignifiquem o futebol e o desporto português e em especial como é
 o caso feminino, não deixem de usufruir do jogo e de todo ambiente
 independentemente da pressão, serão as primeiras de muitas a trilhar 
estes caminhos e são exemplo a seguir para muitas jovens
 portuguesas, bom jogo, boa sorte  e muitas felicidades 
desportivas e pessoais».








segunda-feira, 13 de outubro de 2014

NA BIBLIOTECA ESPECIALIZADA ANA CASTRO OSÓRIO | Tertúlia à volta de Carolina Beatriz Ângelo | Outubro | 24 | 17.30h



Entretanto: «Médica, republicana e feminista, (Carolina) Beatriz Ângelo nasceu em 1877, na Guarda, cidade onde realizou os seus estudos liceais. Já em Lisboa, ingressou nas Escolas Politécnica e Médico-Cirúrgica, tendo terminando o curso no ano de 1902.
Na sua carreira médica destaca-se o facto de ter sido a primeira mulher portuguesa a operar no Hospital de São José, sob a direcção de Sabino Maria Teixeira Coelho. Trabalhou ainda no Hospital de Rilhafoles, sob a orientação de Miguel Bombarda, e dedicou-se à Ginecologia, com consultório na baixa lisboeta. A atividade profissional de Beatriz Ângelo foi conciliada com uma intervenção política e social intensa e marcante. Foi uma das principais ativistas da sua época, defensora dos direitos das mulheres, tendo lutado por causas como a emancipação das mulheres e o sufrágio feminino. 

A sua militância em organizações defensoras dos direitos das mulheres iniciou-se em 1906 no Comité Português da agremiação francesa La Paix et le Désarmement par les Femmes. Em 1907 foi iniciada na Maçonaria, ano em que esteve também envolvida no Grupo Português de Estudos Feministas. Em 1909 fez parte do grupo de mulheres que fundou a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, defensora dos ideais republicanos, do sufrágio feminino, do direito ao divórcio, da instrução das crianças e de direitos e deveres iguais para homens e mulheres». Continue a ler.


sábado, 11 de outubro de 2014

OUTUBRO | 11 | Dia Internacional da Rapariga

 
Hoje é o Dia Internacional da Rapariga, e o lado sombrio: 
 
«70 milhões de raparigas adolescentes dizem ser vítimas de violência física desde os 15 anos. Um relatório da Unicef revela que 120 milhões de raparigas com menos de 20 anos tiveram relações sexuais forçadas e uma em cada três esteve casada e foi vítima de violência emocional, física ou sexual praticada pelo maridos ou parceiros.
Os dados indicam que mais de metade das raparigas que foram vítimas de abuso físico nunca procuraram ajuda e muitas afirmaram que não consideram os maus tratos um abuso ou um problema.
Quase metade das adolescentes com idades entre os 15 e os 19 anos considera que é admissível que um parceiro bata na mulher nalguns casos: por exemplo, se a mulher discutir com o marido, se sai de casa sem lhe dizer, se é descuidada com os filhos, se deixa queimar a comida ou se disser que não quer ter relações sexuais.
As taxas mais elevadas de casamentos na infância e adolescência verificam-se nos países da África subsariana e no Sul da Ásia: uma em cada três raparigas casaram antes dos 15 anos». Tirado da TSF.
 
 
Para sair deste estado de coisas, só apostando na educação, e  nisso acredita o Secretário Geral da ONU com a sua Iniciativa Educação Global Primeiro «criada para acelerar o progresso de colocar todas as crianças nas escolas, especialmente raparigas. “Temos o objetivo de ensinar mais do que a ler e a contar, estamos a esforçar nos para criar cidadãos globais que consigam enfrentar os desafios complexos do século XXI”». Saiba mais. E para isto mesmo  o empenho de MALALA que acaba de partilhar com Kailash Satyarthi, activista indiano dos direitos das criança, o  Prémio Nobel da PAZ 2014. São dela as palavras:"Uma criança, um professor, uma caneta e um livro podem mudar o mundo",
 
 
 
 
 

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

OUTUBRO | 10 | Dia Mundial da Saúde Mental


«O Dia Mundial da Saúde Mental é comemorado no dia 10 de outubro desde 1992. Todos os anos, a Federação Mundial de Saúde Mental escolhe um tema.  A intenção da comemoração é colocar temas da saúde mental nas agendas dos governos, para além de centrar a atenção pública na Saúde Mental global, como uma causa comum a todos os povos, para além de limites nacionais, culturais, políticos ou socioeconómicos.
Defende-se a valorização da Saúde Mental, criando uma paridade entre esta e a saúde física nas prioridades das opções governativas dos Estados. Alerta-se também para as necessidades específicas das pessoas com doenças mentais». (tirado daqui). O tema de 2014 é «Viver com Esquizofrenia». Sobre este Dia,  no nosso País, o trabalho seguinte:



No Diário As Beiras de 7 outubro 2014

DIA MUNDIAL DA SAÚDE MENTAL | MUSEU MUNICIPAL DE FARO | Festival Internacional de Cinema e Saúde Mental | De 9 a 11 outubro

veja aqui.
«O Museu Municipal de Faro recebe entre os dias 9 e 11 de Outubro a II edição do FICSAM | Festival Internacional de Cinema e Saúde Mental, que tem a concurso cerca de 58 filmes centrados no tema da saúde mental, oriundos de todo o mundo, num evento que apresenta também várias actividades paralelas.
 Além do cinema, haverá palestras, uma exposição de trabalhos realizados pelos utentes do Forúm Sócio Ocupacional da ASMAL | Associação de Saúde Mental do Algarve intitulada "Recriando a nossa Herança", uma exposição da pintora PULITA sobre o universo psicológico de Fernando Pessoa ,"O desassossego de Fernando Pessoa" e pelo projecto LLartproject de Sofia Trincão e Leif Lønne e ainda um workshop de cinema intensivo digital dinamizado por Diogo Pessoa de Andrade.
 Organizado pela Associação Inconsciente Coletivo e pela Direcção Geral da Saúde, o festival tem este ano como tema Viver com a Esquizofrenia, tema proposto pela World Mental Health Federation (WMHF) para as comemorações do Dia Mundial da Saúde Mental (10 de Outubro). Será apresentada também uma palestra subordinada ao tema dinamizada por técnicos da Associação de Saúde Mental do Algarve e pela equipa do Serviço de Psiquiatria e Saúde Mental do Hospital Central do Algarve». Continue a ler.



quinta-feira, 9 de outubro de 2014

PASTORAL DA CULTURA| «As mulheres e a desigualdade: Que caminhos?»

de Pablo Picasso

«As mulheres e a desigualdade: Que caminhos?» é um artigo  que integra a edição n.º 21 do “Observatório da Cultura”, da Pastoral da Cultura,  da autoria de  Ângela Barreto Xavier,  Investigadora do Instituto de Ciências Sociais,  da Universidade de Lisboa,  aqui o divulgamos:


As mulheres e a desigualdade: Que caminhos?
Um olhar rápido sobre estatísticas recentes mostra-nos que no nosso país há aproximadamente mais 500 000 mulheres do que homens, mais 20 000 mulheres matriculadas no ensino superior, mais 250 000 mulheres com uma licenciatura completa (formando-se, por ano, e em relação aos homens, o dobro de médicas e o quádruplo de enfermeiras), mais 200 mulheres a doutorar-se cada ano. Números impressivos e que dão conta do que tem significado, para muitas mulheres portuguesas, viver em democracia.
Todavia, estes números ocultam tanto quanto iluminam. Desde logo porque há menos 300 000 mulheres do que homens no mercado de trabalho. Depois, porque os homens ganham mensalmente, e em média, mais 200 euros do que as mulheres. Ainda, porque são escassas as mulheres nos lugares cimeiros das instituições para as quais trabalham. Apesar de haver mais mulheres doutoradas e com o ensino superior completo, nas universidades são muitos mais os docentes que são homens. E é igualmente significativo que 2/3 dos deputados da Assembleia da República sejam homens! 
Este breve diagnóstico revela mais coisas. A par do tradicional papel de esposas e mães, o regime democrático comportou uma dignificação social da mulher. Mas apesar da importante redução das assimetrias que essa dignificação social comportou, a desigualdade de género permanece, já que as mulheres continuam a ter uma presença bastante inferior à dos homens nos lugares de decisão, sendo frequentemente constrangidas por decisões nas quais a sua voz não se faz ouvir. Esta tendência agrava-se quando cruzamos estes dados com outras variáveis, tais como a classe e a imigração, contribuindo para instituir uma falha dolorosa no seio da comunidade das mulheres. Efetivamente, a assimetria é muito menor quanto mais elevada é a classe social, ou quando a mulher está plenamente integrada e reconhecida na e pela sociedade portuguesa. Também entre as mulheres há quem seja capaz de se fazer ouvir - caso da autora destas linhas -, e quem não o consiga.
Como agir perante estes cenários? Como reduzir simultaneamente a desigualdade de género e a desigualdade de classe e de “etnia”, de modo a construirmos uma sociedade verdadeiramente inclusiva, justa e representativa? Estaremos verdadeiramente dispostos a lutar pelos direitos de (todas) as mulheres? Como reduzir o fosso que ainda separa homens e mulheres, mas também mulheres ricas e mulheres pobres, mulheres portuguesas e aquelas que não o são? E como é que a Igreja pode (e deve?) contribuir para a redução deste fosso, sendo que a radiografia que se faz para Portugal também se aplica, por vezes com maior propriedade, à Igreja (sobretudo se atendermos aos muitos impedimentos que as mulheres enfrentam dentro da comunidade eclesial)?
Porque historiadora de profissão, tenho alguma sensibilidade à construção histórica de um senso comum sobre o “lugar das mulheres” na família e na sociedade, e a sua expressão normativa e institucional. Ora, tal como aconteceu no Portugal dos últimos quarenta anos, a imagem da mulher foi-se alterando de forma muito significativa nos últimos séculos, aceitando-se hoje como normais situações que seriam outrora impensáveis. Na verdade, poderia até dizer que, na atualidade, o domínio do impensável até se inverteu. O que é impensável para boa parte das mulheres é elas não poderem ser muito mais do que aquilo que já alcançaram, sem isso ser entendido como algo de anormal, que desequilibra e que inquieta, que põe em causa a ordem tradicional das coisas, que revela uma ambição desmesurada; sendo, por isso mesmo, indesejável. O que é impensável é que lhes sejam vedados vários caminhos por mera imposição masculina.
Estou ciente de que é muito mais fácil colocar questões e elaborar discursos do que oferecer boas respostas. Ainda assim, mesmo não havendo respostas nem óbvias nem imediatas, e mesmo que (para já) não haja boas respostas, acredito que é relevante levantar questões, uma, duas, muitas vezes, e apontar caminhos possíveis.
Um dos caminhos que está a ser trilhado é o que pugna por políticas públicas que permitam que as várias identidades que mulher desempenhou no passado e desempenha no presente não sejam mutuamente excludentes (tal como elas não o são entre os homens), permitindo a conciliação, nomeadamente, entre obrigações laborais muito exigentes e uma vida familiar que requer uma ainda maior dedicação.
Um segundo caminho é continuar a lutar pela representação equitativa de género nos fóruns de tomada de decisões, seja na sociedade civil, no mundo da política, como também na comunidade eclesial. Estamos ainda longe de alcançarmos comunidades em que as discussões e as decisões relativas às mulheres sejam por elas partilhadas, e não violentamente impostas por mecanismos de decisão que tendem a excluí-las, ou a subrepresentá-las. Só quando alcançarmos uma maior equidade na representação e na decisão é que as mulheres se reconhecerão no que vai sendo decidido (sabendo, evidentemente, que não há, nem devem existir, posições completamente consensuais).
Um terceiro e inevitável caminho é a luta pela justiça social. É premente conseguir que mulheres pobres e ricas, portuguesas e não portuguesas possam aceder, de forma equitativa e autónoma, aos vários mundos de reflexão e ação, e sentirem que aí têm uma história própria, em vez destes caminhos serem apenas acessíveis às que estão socialmente mais bem posicionadas, e vedados à maioria das mulheres, tantas vezes relegadas para posições subalternas e multiplamente dependentes.
Para que tudo isso aconteça, as mulheres não podem estar sozinhas e apenas entre mulheres. Para que isso aconteça, é imprescindível que as mulheres (todas as mulheres) tenham os homens ao seu lado. Os seus pais, os seus irmãos, os seus maridos, os seus amigos, os seus filhos, os seus colegas de trabalho e os seus patrões. Os seus sacerdotes e os seus bispos.
A meu ver, não se trata de uma reivindicação. Mas sim, e apenas, da restituição da dignidade que se pressente desde as primeiras páginas da Bíblia, e que se torna inquestionável com a chegada de Cristo e com a maneira como Ele comunicou com (todas) as mulheres.

«IGUALDADE DE GÉNERO PÓS 2015»




Numa ocasião em que a discussão da IGUALDADE DE GÉNERO DEPOIS DE  2015 está na generalidade das agendas - lembre-se, por exemplo, a iniciativa que vai ter lugar amanhã:

«BEIJING + 20» | APRESENTAÇÃO DO «RELATÓRIO EWL - European Women?s Lobby» | 10 outubro 2014 | 15:00h | Escola Básica e Secundária Passos Manuel - Lisboa,

escrevendo-se a propósito que  «À beira de 2015, queremos garantir que as vozes das mulheres e das raparigas na Europa sejam ouvidas ao nível das Nações Unidas e da União Europeia, no momento em que os Estados Membros irão discutir a Plataforma de Ação de Pequim e acordar compromissos de futuro. Esta é a razão do lançamento deste relatório em Outubro de 2014, contribuindo para este processo a vários níveis» - a chamada de atenção para o relatório da imagem produzido aquando do workshop referenciado na capa, a 3 de setembro último - ver  post anterior «UMA NOVA ESTRATÉGIA PARA A IGUALDADE DE GÉNERO APÓS 2015».

Por outro lado, igualmente como ilustração, no próxima segunda-feira: «On 13 October, FEMM Members will hold a first exchange of views on the own-initiative report on "The EU Strategy for equality between women and men post 2015", in view of the new Strategy to be drafted by the European Commission in order to review the current six priority areas and evaluate the progress made. FEMM report will be drafted by Ms Noichl (S&D) and will serve as an input from the European Parliament to the Commission on the new Strategy». +.
Naturalmente, no Em Cada Rosto Igualdade continuaremos a seguir estas dinâmicas.



quarta-feira, 8 de outubro de 2014

CIG | REVISTA NOTÍCIAS | Saíu o n.º 90 | Tema: COEDUCAÇÃO



Saiu  o número 90 da NOTÍCIAS, publicação periódica da CIG - Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género -  que há 29 anos, como se pode ler no editorial da acabada de sair, «pretende contribuir "para a melhoria da condição feminina e, com ela, da condição humana", princípios pelos quais, ao longo destas três décadas, tem vindo a pugnar». O tema desta edição é COEDUCAÇÃO, e sobre o seu conteúdo, o excerto seguinte também do editorial:


terça-feira, 7 de outubro de 2014

CECÍLIA HONÓRIO | «As Mulheres Contra a Ditadura»


«A primeira "elite" de mulheres que lutou contra a ditadura no pós-guerra nasceu no Movimento de Unidade Democrática Juvenil (MUDJ, 1946-1957). Filhas de juízes, de conservadores, de médicos, advogados, militares, ou de empresários, filhas de oposicionistas, republicanos sobretudo, elas foram jovens escolarizadas à procura de respostas políticas novas, diferentes das de seus pais. Burguesas, muitas universitárias, que arrastaram operárias e trabalhadoras rurais para o MUDJ, com a sua capacidade de liderança e de organização. Este trabalho destina-se a dar visibilidade às raparigas do MUDJ, que arriscaram, estiveram presas, leram livros proibidos, recrutaram, discursaram, militaram nas campanhas, discutiram animadamente nos cafés, e desafiaram até a moral e os bons costumes do tempo, com a sociabilidade mista, que juntava raparigas e rapazes nos passeios no campo, nos piqueniques, ou cantando Lopes Graça. Vai à procura das que começaram a sua vida política no MUDJ e das muitas que passaram da luz à sombra, mesmo quando não desistiram de lutar contra a ditadura». +

«SAÚDE MENTAL E ARTE» | Obras de pintura e escultura em exposição | CINCO ESPAÇOS | COIMBRA


Jornal de Notícias
4 OUT 2014

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

«BEIJING + 20» | APRESENTAÇÃO DO «RELATÓRIO EWL - European Women?s Lobby» | 10 outubro 2014 | 15:00h | Escola Básica e Secundária Passos Manuel - Lisboa




«Agindo como um fórum de partilha de conhecimento e de experiências, de cooperação e de integração, multiplicando a ação das organizações de mulheres na Europa enquanto agentes ativos no desenho e implementação das políticas europeias para a igualdade de género, o EWL procura contribuir para que a implementação da Plataforma de Ação de Pequim se consubstancie como prioridade na agenda política. Assim, o EWL tem contribuido para a revisão regular da Plataforma de Ação de Pequim através da realização e publicação da sua própria avaliação quanto à implementação, a nível europeu, da Plataforma de Ação de Pequim. Até à data foram produzidos dois relatórios, um em 2005, Beijing+10, e outro em 2010, Beijing+15.
À beira de 2015, queremos garantir que as vozes das mulheres e das raparigas na Europa sejam ouvidas ao nível das Nações Unidas e da União Europeia, no momento em que os Estados Membros irão discutir a Plataforma de Ação de Pequim e acordar compromissos de futuro. Esta é a razão do lançamento deste relatório em Outubro de 2014, contribuindo para este processo a vários níveis. O relatório examina o estado de arte relativo à implementação das 12 áreas de ação ao nível europeu, incluindo progressos e lacunas existentes, contemplando uma análise rigorosa sobre a situação das mulheres e das raparigas na Europa. Apresenta, ainda, recomendações e desafios por forma a constituir-se como referência a decisoras políticas e decisores políticos bem como instrumento de consciencialização sobre Pequim +20 particularmente dirigido a gerações mais novas e aos media». (destaques nossos).

Confirme Presença  até dia 9 de Outubro



MAFALDA FEZ 50 ANOS | Aquela chata de perguntas inconvenientes



«A Mafalda não gosta de sopa mas ouve os Beatles, brinca com os amigos aos cowboys e preocupa-se com a guerra no Vietname. Criada pelo argentino Quino, a personagem de banda desenhada é uma menina de 5 anos (acompanhamos as suas aventuras ao entrar para a escola primária), da classe média, pequena mas muito inteligente. A primeira história da Mafaldinha foi publicada a 29 de setembro de 1964 no semanário Primera Plana». + no DN.
E na Pastoral da Cultura:
«(...)
Meio século e centenas de vinhetas não mudaram Mafalda. A menina morena e espevitada de Buenos Aires continua a provocar com as suas frases ingénuas e, ao mesmo tempo, embaraçantes. Porque a pequena ainda não aprendeu as regras da convivência e do politicamente - ou socialmente - correto. O mundo adulto é para ela um mistério a explorar. E para o fazer interroga, com a desmesurada liberdade dos seus seis anos, pais, professores, vizinhos. As perguntas são tão concretas que parecem absurdas. Ou talvez absurda seja a hipocrisia atrás da qual os "grandes" escondem as suas contradições. Em 2014 como em 1964.
Era o dia 29 de setembro quando na revista "Primera Plana" apareceu pela primeira vez a sua cabeleira rebelde. A desenhá-la estava a mão de Joaquín Salvador Lavado Tejón, "Quino" como nome artístico. «Sim, Mafalda é mesmo uma chata», ri o autor que, aos 82 anos, é um dos mais célebres desenhadores latinoamericanos vivos. Também - e em boa parte - graças àquela «chata».
O primeiro livro de Mafalda, publicado na Argentina em 1966, esgotou em quinze dias. Em meio século, as suas tiras - publicadas em 50 países e traduzidas em 20 línguas - venderam 50 milhões de cópias.
O dado mais surpreendente é que continuam a vender. Mafalda não envelheceu. É impressionante como as suas «perguntas inconvenientes» parecem escritas precisamente para realçar os contrassensos da nossa sociedade.
«Nunca imaginei que pudesse permanecer tão atual. Quando parei de a desenhar, em 1973, não pensava que Mafalda pudesse continuar a ter um tal sucesso. Surpreende-me o afeto que as pessoas nutrem ainda em relação a ela. As crianças, sobretudo... O que, por um lado, me alegra. Por outro, no entanto, entristece-me. Quer dizer que o mundo, as suas injustiças, as desigualdades, os conflitos - problemas, em suma, que Mafalda denunciava há meio século - permaneceram imutáveis. Na verdade, se alguma coisa mudou, foi para pior... Mas eu sou um pessimista.»
E no entanto, ao lê-la, não se diria. Mafalda tem um toque poético mesmo quando diz e mostra o que não queremos ver... Precisamente pelo seu conteúdo social, muitos consideram-na uma banda desenhada para adultos. Está de acordo?
«Sim. Como, de resto, também o Snoopy e a Pantera Cor de Rosa não são bandas desenhadas para crianças. Limitei-me a meter na boca de uma menina de seis anos conceitos simples e, por isso, subversivos.». Continue a ler.
Uma vez mais, a força da arte !  

«O PODER NO FEMININO» | Em Palco

 

«Women Power» foi um ciclo de três espectáculos que em fins de setembro foram apresentados em Guimarães dirigidos e interpretados por três mulheres. O Pequeno Auditório do Centro Cultural Vila Flor recebeu :

- O espetáculo de Cláudia Dias que dirige, coreografa e interpreta Vontade de ter vontade, uma peça que nasce do sentimento de confrontação geracional que Cláudia diz sentir em relação aos seus alunos. 
- Raquel Castro  que apresentou Os dias são connosco, «uma reflexão sobre o quotidiano, a relação mãe-filha, a realização profissional, o dinheiro, a família, o amor, o envelhecimento. Quando a sua filha nasceu, Raquel Castro iniciou um diário em vídeo de 365 dias para poder mostrar-lhe, mais tarde, o seu primeiro ano de vida. Inspirada por esse registo privado e documental, decidiu depois criar um espetáculo, uma carta-vídeo de uma mãe para uma filha que é também um retrato de uma pessoa e do mundo que a rodeia, feito ao vivo para ser visto no futuro». 
- Dani Brown,  com How do you imagine the devil?, uma peça que brinca com as identidades, os limites e o proibido.


os espectáculos existem quem sabe ao sabê-lo haverá quem esteja interessado em MOSTRÁ-LOS A OUTROS PÚBLICOS À SEMELHANÇA DE GUIMARÃES. Saiba mais.