quarta-feira, 18 de junho de 2014

UMA ESCOLHA | «The top 10 feminist books»




A colega Mónica Guerreiro (DGARTES) deu o alerta para o trabalho do «The Guardian», de 11 de junho, The top 10 feminist books,  de Rachel Holmes. Logo que visitámos o sitio do artigo apeteceu, o que quase sempre acontece, chamar a atenção para o espaço que o jornal atribui ao feminismo, ao género, às mulheres. Só esta separação ... Confira por si neste recorte:






 
A seguir, a atenção foi para o livro da imagem acima, da própria Rachel Holmes,  sobre o que pode ler aqui  de  . Em destaque, encontra-se lá:



the tireless socialist - Karl Marx's daughter was a brilliant feminist 

betrayed by  the men she loved, not least her own father,

 writes Lucy Hughes-Hallett


E só depois nos detivemos na escolha «TOP 10 livros feministas» ,  e nada melhor do que os mostrar aqui através de imagens: 









Sobre a «escolha»,  não se esqueça de ler no The Guardian o que sobre cada um deles está escrito.  E repare como Rachel Holmes começa o artigo:


«Six years writing the life of Eleanor Marx made me review everything I've read about fighting injustice against women and the arrested development left to men by patriarchy. Living with her and her radical friends brought an intimacy to my relationship with the trailblazers offeminism. I rather hope that Tussy – as Marx was known to her friends – might enjoy my choices. 
What makes a great feminist text? The right values for sure. But it also needs sufficient wit, wisdom, energy and eloquence to inspire change beyond its time, perhaps beyond the imagination of its author.  My list includes fact and "non-fact" – as I sometimes think of fiction– poetry, original English and translated writing. Two male authors have made the cut, though I could easily have included more». Continue a ler.



segunda-feira, 16 de junho de 2014

MARIA VELEDA | Prémio Regional Maria Veleda | Direção Regional da Cultura do Algarve





Primeiro, quem foi Maria Veleda«Maria Veleda (pseudónimo de Maria Carolina Frederico Crispem) desde muito cedo se dedicou a causas políticas e sociais, que incomodava os poderes instituídos (eclesiásticos e políticos) – aliás, o seu artigo “A Propósito”, publicado no jornal “A Vanguarda” em 9 de Fevereiro de 1908, a seguir ao regicídio, que esgotou duas edições do mesmo jornal, valeu a Maria Veleda um processo-crime por abuso de liberdade de imprensa, valendo-lhe as suas correligionárias da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, e testemunhando a seu favor personalidades como António José de Almeida, João Chagas, Manuel de Arriaga ou Ana de castro Osório, entre outras –, que não se assustava com ameaças, não concordou com o voto restrito, pretendendo o voto para todas as mulheres. Considerava igualmente, por exemplo, que o anti-clericalismo e o anti-jesuitismo deveria ser discutido na Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, situação que nunca agradou, por exemplo, a Ana de Castro Osório». Continue a ler.
Depois, divulgar que a Direção Regional da Cultura do Algarve criou o  Prémio Regional «Maria Veleda». De seguida, os campos  de onde podem provir os projetos  e as atividades  passíveis de candidatura ao Prémio, e mais alguns aspectos nucleares  -  excertos do Despacho 7117/2014: 










MULHERES CONDECORADAS NO 10 DE JUNHO DE 2014


Como largamente noticiado na comunicação social, no dia 10 de junho o Presidente da República condecorou 30 Personalidades.  5 são mulheres. Cinco:



Maria João Avilez

«Aos vinte e oito anos passou a redactora estagiária de A Capital. Em 1974, já redactora efectiva, sai para o Expresso, onde se notabilizou no jornalismo político». Continue a ler na wikipedia.

 Maria Cristina de Castro
(Condecoração a titulo póstumo)

«Como uma das principais referências do canto lírico no país, o seu nome apareceu ao lado de Maria Callas, quando esta actuou em Portugal». Leia mais no Público online.

Maria da Luz Rosinha 

«Autarca desde 1976, tendo desempenhado funções na Assembleia Municipal de Vila Franca de Xira, Junta e Assembleia de Freguesia de Vila Franca de Xira». Foi Presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira. Saiba mais.

Maria das Dores Meira

Actual presidente da Câmara de Setúbal , mas assumiu funções em 2006 na sequência da demissão de Carlos de Sousa. Antes, já era vereadora na autarquia.  Saiba mais.





Isabel Maria Mendes Furtado

É Administradora Executiva do Grupo TMG (Têxtil Manuel Gonçalves). Estudou durante nove anos fora de Portugal, dividindo a vida académica entre o Canadá e o Reino Unido. Saiba mais



quinta-feira, 12 de junho de 2014

DIA MUNDIAL CONTRA O TRABALHO INFANTIL | 12 junho




Como se pode ler no site da OIT Lisboa, para o Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil, que se assinala hoje, dia 12 de junho, este ano «a OIT escolheu o tema da extensão da proteção social como um meio para afastar as crianças do trabalho infantil, uma vez que possibilita o acesso à educação, aos cuidados de saúde e à alimentação. A OIT-Lisboa e a CPLP associaram-se neste Dia Mundial contra o Trabalho Infantil , para a promoção da sensibilização e a necessidade da ação para o combate ao trabalho infantil». Pode ler-se ainda:

«Pobreza e situações de crise podem muitas vezes levar ao trabalho infantil. As famílias com rendimentos mais baixos são muitas vezes aquelas que acabam por recorrer ao trabalho infantil para satisfazer algumas necessidades básicas e lidar com a incerteza. A exposição a crises financeiras que resultam na quebra do rendimento familiar, podem ter um efeito similar nas decisões das familias.

A proteção social é um direito humano que possui igualmente um sentido económico e social, possibilitando o acesso à educação, aos cuidados de saúde e à alimentação e desempenha um papel fundamental na luta contra o trabalho infantil. 

Em 2013, a comunidade internacional adotou a Declaração de Brasília que reforça a necessidade de um trabalho digno para os adultos, de uma educação gratuita, obrigatória e de qualidade para todas as crianças, e de uma proteção social para todos.

No Dia Mundial contra o Trabalho Infantil em 2014 apelamos a:
  • Ações para a extensão, reforço e desenvolvimento da proteção social de acordo com a Recomendação (Nº202) sobre os Pisos de Proteção Social.
  • Sistemas de proteção social que respondam às necessidades das crianças e que ajudem a combater o trabalho infantil.
  • Ações que reforcem o apoio social para grupos de crianças mais vulneraveis.
A CPLP associa-se novamente à OIT-Lisboa a esta campanha para assinalar o dia 12 de Junho como  «Dia Mundial contra o Trabalho Infantil». Com efeito, os ministros do Trabalho e dos Assuntos Sociais da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) decidiram, em Luanda, intensificar os esforços conjuntos para a Prevenção e a Eliminação da Exploração do Trabalho Infantil no espaço da comunidade». Saiba mais.

E o Relatório Mundial sobre o Trabalho Infantil, disponível aqui.


E neste dia seguir, através do site da ILO, a campanha «Red Card to Child Labour»: «There are over 168 million children in child labour worldwide. More than half of them are doing work that puts their health and safety at risk. This is unacceptable. Be part of the global movement and help give children around the world a brand new start. 
On 12 June, the International World Day against Child Labour, the ILO’s Red Card campaign kicks off with an original song, 'Til Everyone Can See, by Incubus guitarist Mike Einziger and violinist Ann Marie Simpson, with featured artists Travis Barker, Minh Dang, Dominic Lewis, LIZ, Pharrell Williams, and Hans Zimmer». 



Mas logo, na homepage:

«World Day Against Child Labour- 12 June
The ILO calls on governments to step up their efforts to extend social protection in order to help keep children out of child labour».







quarta-feira, 11 de junho de 2014

MULHERES E AS TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO (TI)





(recorte da capa da revista Expresso| Emprego 
de 7 de junho de 2014)


E do conteúdo do artigo da temática da capa - Elas ainda «fogem» das TI - de Cátia Mateus:










terça-feira, 10 de junho de 2014

NO DIA 10 DE JUNHO | «Endechas a Bárbara Escrava» | Poema de Luiz de Camões musicado por Zeca Afonso


 
 
 

 
 
 
Endechas a Bárbara Escrava
 
Aquela cativa que me tem cativo,
Porque nela vivo já não quer que viva.
Eu nunca vi rosa em suaves molhos,
Que pera meus olhos fosse mais formosa.

Nem no campo flores,
Nem no céu estrelas
Me parecem belas
Como os meus amores.
Rosto singular,
Olhos sossegados,
Pretos e cansados,
Mas não de matar.

Uma graça viva,
Que neles lhe mora,
Pera ser senhora
De quem é cativa.
Pretos os cabelos,
Onde o povo vão
Perde opinião
Que os louros são belos.

Pretidão de Amor,
Tão doce a figura,
Que a neve lhe jura
Que trocara a cor.
Leda mansidão,
Que o siso acompanha;
Bem parece estranha,
Mas bárbara não.

Presença serena
Que a tormenta amansa;
Nela, enfim, descansa
Toda a minha pena.
Esta é a cativa
Que me tem cativo;
E pois nela vivo,
É força que viva.
 
Poema de Luiz de Camões

 

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Programa da Universidade Feminista de Junho 2014






9 JUNHO | Dia Internacional dos Arquivos


«Why an International Archives Day?
One might think that we have got a full calendar of international days to celebrate. However the public’s image of the archives is foggy: often confused with libraries, archives continue to be perceived as documents for internal use only, which are difficult to access and are of interest only to historians. The perception of records and archives by the public and the organizations that create them is not clear. This troubled image has an impact on the financial and human resources that responsible managers and administrators dedicate to records and archives operations and/or institutions». Leia mais.
E associemo-nos ao dia, visitando, por exemplo, o «The National Women's History Project»:

«Periferias ao centro: Ciganos têm de estar mais presentes na sociedade, diz papa Francisco»


«As populações ciganas «encontram-se nas margens da sociedade, e às vezes são vistas com hostilidade e suspeição», além de «estarem escassamente envolvidas nas dinâmicas políticas, económicas e sociais», afirmou hoje, no Vaticano, o papa Francisco. «Também o povo cigano é chamado a contribuir para o bem comum, e isto é possível com itinerários adequados de corresponsabilidade, na observância dos deveres e na promoção dos direitos de cada um», declarou na audiência aos participantes no encontro “A Igreja e os ciganos: anunciar o Evangelho nas periferias”. «São as pessoas menos protegidas que caem na armadilha da exploração, do acantonamento forçado e de diversas formas de abuso. Os ciganos estão entre os mais vulneráveis, sobretudo quando faltam as ajudas para a integração e a promoção da pessoa nas várias dimensões do viver civil», acrescentou». Continue a ler.


sexta-feira, 6 de junho de 2014

DIA INTERNACIONAL DOS ARQUIVOS | 9 junho | Que memória sobre mulheres ?



Uma das finalidades dos Dias Internacionais será certamente refletir o assunto assinalado sob várias óticas. No  DIA INTERNACIONAL DOS ARQUIVOS que se comemora na próxima segunda-feira,  9 de junho, concentrando-nos no lema «Conservar a memória para fruir o futuro», fixado  na imagem acima que promove a iniciativa na Torre do Tombo,   facilmente  chegaremos à memória sobre as mulheres - matéria que neste blogue com frequência levantamos, nomeadamente na esfera das artes e da cultura. A propósito recordemos o post:  

«RCORDS OF RIGHTS»

que nos leva por exemplo ao espaço  «Women»   do National Archives in Washington, D.C assim organizado:

Ao procurarmos no site da nossa  DGLAB |Torre do Tombo não encontrámos nada equivalente, mas  em NOTÌCIAS ,  no  Documento do mês - Maio,  de 2011,  podemos ler isto:

«Carolina Beatriz Ângelo contava assim o seu feito:
 Eu e um grupo de 10 senhoras, pertencentes à Associação de Propaganda Feminista, dirigimo-nos para o Club Esthefania, pelas 10 horas da manhã, onde entrámos sem incidente digno de nota, sendo respeitosamente acolhidas e muito cumprimentadas por todos os que ocupavam o enorme salão. No final da primeira chamada, o presidente da Assembleia, Sr. Constâncio de Oliveira, consultou a mesa sobre se deveria ou não aceitar o meu voto, consulta na verdade extravagante, porquanto, estando recenseada em virtude duma sentença judicial, a mesa não tinha competência para se intrometer no assunto (…). Foi contra esta descabida consulta à mesa que se levantaram várias vozes de protesto, entre as quais muito intensamente sobressaiu a de um cavalheiro que não conhecíamos e que, depois de insistirmos para que nos desse o nome, soubemos chamar-se Joaquim Beja. Todas as sufragistas presentes lhe agradeceram (…) Nessa ocasião o presidente da mesa dirigiu-me palavras de elogio e deferência, individualmente imerecidas, manifestando-se a Assembleia estrondosamente com palmas e vivas, ao que eu respondi agradecendo e prometendo participar às sufragistas de todo o mundo civilizado, que ultimamente muito me têm felicitado, que os mais inteligentes homens portugueses estão connosco, comparticipando do mesmo ideal.
ÂNGELO, Carolina Beatriz, in A capital, 29 de Maio de 1911. Cit. por ARMADA, Fina D’ – As mulheres na Implantação da República. Lisboa: Ésquilo, 2010. ISBN 978-989-8092-83-0. p. 297-298». 


quinta-feira, 5 de junho de 2014

«ONE» | Bono | «10 YEARS TOGETHER»

http://www.one.org/10years/

BONO é conhecido mundialmente, certamente  por ser o vocalista da Banda Irlandesa U2: Mas há o «outro BONO», o que luta por causas humanitárias. Recorrendo à Wikipedia (em português do Brasil):  
«Bono se tornou um dos melhores artistas filantrópicos do mundo. Ele foi apelidado de "o rosto da filantropia de fusão", tanto para seu sucesso recrutando aliados poderosos de um espectro diversificado de líderes de governo, instituições religiosas, organizações filantrópicas, a mídia popular e o mundo dos negócios, bem como para liderar novas redes de organizações de auxílio humanitário global que se ligam com o ativismo geopolítica e empresa comercial corporativa.
Em uma entrevista em 1986, à revista Rolling Stone, Bono explicou que foi motivado a se envolver em política e causas sociais, vendo um dos benefícios do Secret Policeman Ball, encenado por John Cleese e o produtor Martin Lewis, para a organização não governamentalAnistia Internacional em 1979. "Vi o 'Secret Policeman Ball' e tornou-se uma parte de mim. Semeou uma semente..." Em 2001, Bono organizou junto a banda, uma gravação especial ao vivo para esse ano em benefício da Anistia.
Bono e U2 realizaram uma pequena turnê beneficente, a "A Conspiracy of Hope Tour", realizada em 1986 nos Estados Unidos, ao lado do ex-vocalista da banda de rock britânica The PoliceSting. U2 também se apresentou na Band Aid e Live Aid, projetos organizados por Bob Geldof.79Em 1984, Bono cantou no "Band Aid", com o single "Do They Know It's Christmas?/Feed the World" (um papel que foi reprisado em 2004 no Band Aid 20, com single de mesmo nome). Geldof e Bono, mais tarde colaboraram para organizar em 2005 o projeto Live 8, onde o U2 também se apresentou». Continue a ler.
Nesta sua atividade foi cofundador da  ONE - «ONE is a campaigning and advocacy organization of nearly 4 million people taking action to end extreme poverty and preventable disease, particularly in Africa… because the facts show extreme poverty has already been cut in half and can be virtually eliminated by 2030, but only if we act with urgency now». Leia mais. Faz dez anos e estão a assinalá-lo. Veja aqui do que realizaram e estão a realizar. Por exemplo:




A palavra de ordem: «Join the fight against extreme poverty».



OIT | «Relatório Mundial sobre Protecção Social 2014-2015»





O Relatório da imagem, apresentado na terça-feira, dia 3 de junho de 2014, tem sido comentado na comunicação social. «OIT: medidas de austeridade na Europa levam 800 mil crianças à pobreza» é titulo sobre situação que mais tem sido vista, e que se compreenderá - é sobre  CRIANÇAS. Leia, por exemplo, aqui. Ou aqui.  E também neste endereço, entre outros que poderiam ser referidos. Mas existe, em português, o Sumário Executivo:




A seguir um video sobre o Relatório. E no site da OIT, outra forma - através de mapa interativo - de nos debruçarmos sobre os conteúdos do relatório.



E retenha-se o início da Press Release: «More than 70 per cent of the world population not adequately covered by social protection - A new ILO report presents the latest social security trends and finds that most people lack adequate social protection at a time when it is most needed». Continue a ler.



quarta-feira, 4 de junho de 2014

OLÁ CRIANÇAS ! OLÁ JOVENS ! TALVEZ LHES INTERESSE (34)| Cinema, cem anos de juventude - apresentação dos filmes-ensaio 2013-2014




O acontecimento tal como chegou até nós:

"O Mundo à nossa Volta"
Doze jovens entre os 12 e os 16 anos, vão apresentar na Cinemateca Francesa em 4, 5 e 6 de Junho os filmes-ensaio que resultaram do trabalho de iniciação ao cinema em que participaram este ano.
Em representação de todos os  que participaram no programa pedagógico Cinema, cem anos de juventude (Cinema, cent ans de jeunesse), em escolas de Lisboa, Moita e Serpa, estes jovens irão partilhar com centenas de outros participantes de várias regiões de França, Espanha, Itália, Bélgica, Escócia, Inglaterra, Alemanha, Áustria, Brasil e República de Cuba, a sua experiência e processo de trabalho na realização dos seus filmes e irão assistir à projecção e apresentação dos filmes de todos os participantes neste programa.
Os cineastas e os professores que orientaram este dispositivo ao longo do ano irão também estar presentes e participar no balanço anual deste programa pedagógico, e na preparação do próximo ano lectivo.
Mais de duas mil crianças e adolescentes nos onze países envolvidos neste dispositivo realizaram pequenos filmes a partir das mesmas regras do jogo sobre a questão do Plano-Sequência.
Uma primeira parte desta oficina é consagrada ao visionamento de filmes e excertos de filmes associados á realização dos exercícios que ajudam a precisar e a compreender a questão. Esta etapa é indispensável antes dos participantes neste projecto singular começarem a fazer exercícios filmados individuais numa primeira fase e depois o filme-ensaio colectivo.
São 40 filmes colectivos dos 11 países envolvidos neste projecto que vamos ver ao longo de três dias na Cinemateca Francesa.
Este dispositivo pedagógico que tem vindo a ser desenvolvido em Portugal pela mão da Associação Cultural Os Filhos de Lumière desde 2006, é realizado em parceria com a Cinemateca Francesa (coordenadora), a Cinemateca Portuguesa e o Institut Français du Portugal, e integra o projecto "O Mundo à Nossa Volta" com o apoio do Programa PARTIS da Fundação Calouste Gulbenkian, das Câmaras Municipais de Serpa, Lisboa e Moita, (esperamos ainda os resultados do concurso do ICA para este triénio), de diversas entidades locais (que apoiaram a viagem dos participantes a Paris), da Cinemateca Francesa, do Instituto Camões e da Embaixada de Portugal em França, das próprias escolas e ainda dos Ministérios da Cultura e da Educação de França.
Para a sua 20ª edição (que será celebrada entre 2014 e 2015) e graças ao apoio excepcional atribuído a este projecto pela Fondation EDF, através da Cinemateca francesa, a participação nestas jornadas vão dar a ocasião aos jovens realizadores de todo o mundo de se encontrar, de descobrir e de filmar Paris, reencontrando o gesto dos operadores Lumière (numa viagem especial pelo Sena nos "bateaux mouche"). 
Esse apoio vai permitir ainda a criação de um novo site onde serão mostradas e aprofundadas as pistas pedagógicas lançadas ao longo de vinte anos, que ajudam a pensar, a investigar e a explorar de ano para ano, uma nova questão de cinema. 
Em breve serão anunciadas  as datas de apresentação em Portugal dos filmes que resultaram deste programa nas três regiões participantes». 





terça-feira, 3 de junho de 2014

MULHERES EM DESTAQUE | Matilde Campilho



«Eis um livro de estreia que nos esmaga com o seu desassombro. Leitora de Whitman e dos bardos da Beat Generation, Matilde Campilho lança-se, destemida, ao poema longo e de alta rotação metafórica. De Lisboa ao Rio de Janeiro, fazendo uso de um «dialecto muito novo» (a meio caminho entre o português ‘de cá’ e o do Brasil: linguagem híbrida, dúctil, coloquialíssima), Campilho revela uma ânsia de tudo abarcar – grandes gestos, pequenos objectos, a espantosa vibração das coisas que existem sobre a terra.
Cada poema funciona como um microcosmos que se expande, sem que saibamos para onde vai ou quando explodirá nas nossas mãos. O olhar da poeta é omnívoro, logo imprevisível: tanto a comovem as oscilações do sismógrafo sentimental como a estrutura do ácido desoxirribonucleico (ADN): «Cromossomas me animam, ribossomas me espantam. A divisão celular não me deixa dormir». Tudo é susceptível de ser fixado por estes versos: um nascimento, um «rosto kodachrome», referências a poemas de Eliot e a esculturas de Chillida, invocações a santos, os «snipers das barricadas de Kiev», um imaginário nova-iorquino (verões quentes em Brooklyn e Coney Island), a bola de ouro de Cristiano Ronaldo ou as ondas de 22 metros da tempestade Hércules («e ao invés de vestir o escafandro / meu velho amor e eu / escolhemos ver a revolução aquática / a partir da bancada do bar»). Continue a ler aqui  o texto de José Mário Silva da revista ATUAL/Expresso de 23 de Maio de 2014. E do  mesmo trabalho  da edição impressa um excerto na imagem seguinte:  




E de Matilde Campilho:

«DESCRIÇÃO DA CIDADE DE LISBOA
A rapariga a pensar naquilo, a rapariga ao sol, menina a comer cachorro quente, menina a dançar na rua, rapariga do dedo no olho, do dedo na árvore. Rapariga de braços levantados, rapariga de pés baixos, rapariga a roer as unhas, rapariga a ler jornal, rapariga a beber um líquido chardonnay, rapariga no vão de escada, rapariga a levar na cara. Rapariga aflita, rapariga solta, rapariga abraçada, rapariga precisada. Rapariga a fumar charuto, rapariga a ler Forster, rapariga encostada na palmeira, rapariga a tocar piano. Rapariga sentada em Mercúrio ao lado de um leão, rapariga a ouvir discurso de Ghandi, rapariguinha do shopping. Rapariga feita de átomos e sombra. Rapariga de um ponto ao outro e medindo quarenta e dois centímetros, rapariga impávida, rapariga serena. Rapariga apaixonada por igreja quinhentista, rapariga na moto a trocar velocidades a mudar o jeito. Rapariga que oferece à visão o hábito da escuridão e depois logo se vê. Rapariga de ossos partidos, rapariga de óculos negros, rapariga de camisola em poliéster, rapariga debruçada na cadeira da frente no cinema, rapariga a querer ser Antonioni. Rapariga estável, rapariga de mentira, rapariga a tomar café em copo de plástico, rapariga orgulhosa, rapariga na proa da nau africana. A rapariga a cair no chão, rapariga de pó na cara, rapariga abstémia, rapariga evolucionista. Rapariga de rosto cortado pela faca de Alfama, rapariga a fugir de compromissos, rapariga a mandar o talhante à merda, rapariga a assobiar, rapariga meio louca. Rapariga a deslizar manteiga no pão, rapariga a coçar um cotovelo, rapariga de cabelo azul. Rapariga a brincar com um isqueiro no bolso, rapariga a brincar com um revólver nas calças, rapariga a nadar, rapariga molhada, rapariga a pedir uma chance só mais uma ao santo da cidade. Rapariga a ostentar decote no inverno, rapariga a olhar pelo canto do olho esquerdo, rapariga a ser homem, rapariga na cama. Rapariga a subir o volume, rapariga a querer ser Dylan, rapariga a cuspir no chão. A rapariga a girar a girar a girar a girar no eixo de uma saia de seda amarela. Amarela da cor de um feixe de luz apanhado numa esquina». Mas veja mais aqui.  E uma entrevista na revista online PESSOA, onde também disponível:

Poema inédito de Matilde Campilho:

JUIF ERRANT
O que fiz depois dela foi mudar
de cara de corpo e de persona
para que ela deixasse
de me reconhecer
Para que assim não existisse
a menor possibilidade
de reconhecimento
Confundimos muitas vezes
o amor com o reconhecimento
e essa foi a maior trapaça
de nós dois no mundo
Tem gente por aí que acha
que fizemos coisas piores
Assaltamos alguns bancos no sul
Fizemos péssimas imitações
de Harrison nos karaokes
Mentimos para nossas avós
sobre a verdadeira natureza
de nossas pernoites em conjunto
Lemos O’Hara em alto nos cafés
fingindo ser aquele o canto
do novo poeta português
Mas nada disso era comparável
à grande rasteira
que nos infligíamos ela e eu
todos os dias das nossas vidas
Eu sou teu amor tu és o meu
Um passando a perna ao outro
mesmo antes de descermos
para a refeição inicial, isto é,
a laranja mística do Deus
no qual acreditávamos os dois
Mudei de corpo porque perdi
uns quantos quilos
Mudei de cara porque envelheci
Tudo isso foi bastante simples
e mais ou menos natural
Até porque o desgosto é o melhor
acelerador de partículas e de tempo
que o tal Deus vitaminado engendrou
Difícil mesmo foi trocar de eu
Foram precisas umas quantas viagens
vestido de métèque e vagabundo
Quatro ou cinco visitas
ao gabinete de astrologia
Um gole no xarope amazônico
Bastantes papos com meus inimigos
Foi precisa a contagem dos tremoços
nas taças das aldeias costeiras
A reza da novena dos gêmeos de fogo
Foi preciso simular o amor
na cama de mais mulheres
do que provavelmente
meu sistema imunitário
pudesse antes suportar
Repetir i love you’s aí pelas praças
Esquecer a oração da missa das dez
e mais ainda o poema do canhoto
aquele Mother Nature’s Son
Foi assim, sempre simulando alguém
cantando, que deixei de me reconhecer
E foi por causa disso
Porque eu não me reconheço
Ela não me reconhece mais
Abdicando de meu corpo no mundo
eu abdiquei do corpo dela no mundo

Estas são as instruções para se dar cabo
de uma história daquelas semi-raras
Aquelas que se a gente não prestar atenção
se arriscam bastante a ser eternas.




segunda-feira, 2 de junho de 2014

«Pequim+20: ONU Mulheres lança campanha para tornar igualdade de gênero uma realidade»




A  Nações Unidas Mulheres, no passado dia 22,   lançou uma iniciativa para comemorar os 20 da 4.ª Conferência Mundial sobre a Mulher realizada em Pequim que se cumprem no próximo ano de 2015.  Sobre o acontecimento através do site ONU Brasil:


«A ONU Mulheres lançou nesta quinta-feira (22) uma campanha no período prévio à comemoração do 20º aniversário da histórica 4ª Conferência Mundial sobre a Mulher, realizada em Pequim (China). Um ano de atividades em todo o mundo pretende mobilizar tanto os governos como pessoas comuns para imaginar um mundo em que a igualdade de gênero seja uma realidade e se unir a um debate mundial sobre o empoderamento das mulheres com a finalidade de empoderar a humanidade.
Os eventos estarão centrados nos avanços e nas lacunas para a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres nos 189 governos que adotaram a Declaração e a Plataforma de Ação de Pequim de 1995. Esta proposta abre o caminho para uma plena e igualitária participação das mulheres em todos os âmbitos da vida e na tomada de decisões.
“A Plataforma de Ação de Pequim é uma promessa ainda não cumprida para as mulheres e meninas”, disse a Diretora Executiva da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka. “Nosso objetivo é claro: renovar o compromisso, fortalecer a ação e incrementar os recursos para alcançar a igualdade de gênero, o empoderamento da mulher e o cumprimento dos direitos humanos das mulheres e meninas”.
“O aniversário se comemora num momento histórico”, lembra Mlambo-Ngcuka, “pois os países de todo o mundo combinam esforços para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio em 2015 e definir um novo marco para o desenvolvimento mundial. Temos que aproveitar essa oportunidade única nessa geração para colocar de forma firme a igualdade de gênero, os direitos e o empoderamento das mulheres entre as prioridades da agenda mundial e fazer com que isso seja uma realidade”.
“Faço hoje um chamado a todos e todas no mundo para que sejam parte da solução. Imagine. Juntas e juntos podemos alcançar a promessa de Pequim: igualdade entre mulheres e homens”.
A Conferência Mundial sobre a Mulher de Pequim teve a presença de 17 mil participantes e 30 mil pessoas assistiram ao fórum paralelo de organizações não governamentais, que ocorreu simultaneamente. Em 2015, as Nações Unidas avaliarão o processo nos últimos 20 anos na aplicação da Plataforma de Ação de Pequim, baseando-se nos relatórios nacionais que estão sendo preparados pelos Estados-membros da ONU.
E o site da ONU sobre a Iniciativa neste endereço onde está disponível o video seguinte:



«Almost 20 years ago, 189 countries adopted the
 Beijing Declaration and Platform for Action, a visionary 
roadmap for women's rights and empowerment. 
Much has been achieved since, but much more needs to be done
and can be done. A world in which gender equality is a reality».